quinta-feira, 23 de novembro de 2006

uma vida

Praia da Vieira, 20-11-2006 - 00:05

pela noite escura percorro a estrada, lenta e suavemente, sem saber qual o meu destino… os meus olhos observam atentamente o que é iluminado pelos faróis do carro…
de tempos a tempo surge um cruzamento, com um pequeno candeeiro, que passo sem parar… mas diante de mim não é um cruzamento que surge, mas sim por uma… fico indeciso… sim, uma bifurcação iluminada pela luz intermitente do seu candeeiro… abrando… “que caminho devo seguir?...” - penso… paro… a estrada está deserta…
saio do carro e procuro a placa de direcções… “não a vejo… espera…” - digo para mim mesmo… por detrás da folhagem de um grande e velho arbusto apenas se consegue avistar a ponta da placa… dirijo-me para ela… “mas…” - a palavra sai-me da boca instantaneamente assim que vejo a placa completa… esta, ao contrário do que estava a espera, está vazia, sem uma única letra… sem um único vestígio de ter sido apagada… “e agora…? por onde vou…?” - penso… não dá para voltar atrás… vou ter de optar por um dos dois caminhos… “mas qual…?”- penso…
a dúvida paira sobre mim… olho em redor à procura de alguém mas não há sinais de alguém aqui ter passado há muito, muito tempo… uma chuva miúda começa a cair sobre mim… fina como a areia, fria como o gelo…
entro no carro e tranco-o, como costumo fazer… o que há momentos era uma chuva fina transformou-se agora em mais forte… cada vez mais forte, mais forte… o som dela sobre o carro… fecho os olhos e escuto-a… lembranças antigas levam o meu pensamento para longe desta situação que tenho diante de mim… lembranças que me levam para muitos anos atrás… para quando ainda era garoto… deitado na cama, no escuro do quarto, adormecia ao som da chuva a bater nos estores… acordava a meio da noite a ouvir o mesmo som e aconchegava os cobertores e voltava a adormecer… como sabe bem…
memórias… estas sim, são memórias que vale a pena recordar sempre, em qualquer altura, mas principalmente quando se ouve este som da chuva…
abro os olhos… “que faço agora…? por onde vou…?” - penso… tenho de optar, não posso ficar aqui… opto por seguir um deles… será o certo? não sei… só um dia mais tarde saberei se era o certo… ou o errado…
a vida é como uma estrada feita com muitos cruzamentos… bifurcações…muitas vezes não se sabe qual o melhor caminho a seguir… apenas se sabe que se não for o certo se tentará encontrá-lo… nem sempre a estrada mais plana é a melhor… é preciso apanhar alguns buracos para se formar a própria personalidade… esse estrada, cheia de buracos, por mais que custe, é muitas das vezes, a melhor que se pode escolher… um dia mais tarde, ao recordar a estrada que se percorreu ao longo da vida, ver-se-á que valeu a pena passar pelos buracos… e então, um sorriso surgirá… aquele sorriso… de uma vida…

sábado, 4 de novembro de 2006

apenas para ti

Pedrógão, 03-11-2006 - 23h49

lentamente vou deslizando pelas escuras ruas sem a iluminação dos candeeiros que costumam estar ligados... penso em ti... por onde andarás... afasto estes pensamentos enquanto ganho velocidade, todo o cuidado na estrada é pouco... afasto-me de casa em direcção à praia... como uma onda mais forte nas rochas assim é o pensamento que me invade... como serás... de que gostas e não gostas... porque me fazes isto...? não tens culpa alguma... é apenas a vontade de te encontrar, de olhar nos teus olhos e sentir que és tu por quem tenho esperado toda a vida...
avisto a placa que tem escrito "Pedrógão"... na rotunda sigo em direcção à rotunda seguinte onde está o barco e lá sigo pela estrada paralela ao mar.. quase no fim volto para trás e paro o carro diante do sétimo candeeiro... escrevo estas palavras enquanto penso do ti, no que estarás a fazer... estarás a pensar no mesmo? nao sei... paro de escrever, saio do carro e fico diante do mar... nada mais existe neste momento...
enquanto observo o mar, as ondas parecem-se com a dor… ora deslizam suavemente pela salgada areia molhada tocando cada grão de areia, ora rebentando ferozmente contra a escarpada falésia cansada de tanta fúria…
em comum, a doce maresia que nos sopra no rosto, soltando, por vezes, uma lágrima que corre em direcção ao quente suspiro da amargura…
fecho os olhos... por instantes fico longe de todas as dores, de todos os sentimentos e sinto-me pairar sobre imenso mar diante de mim… como é boa esta sensação de liberdade, de alívio…um momento infinito preso no tempo por um instante…
suavemente abro os olhos, limpo-os e sorrio... entro no carro e continuo a escrever... um dia sentirás a mesma sensação que acabo de sentir e sorrirás... paro de escrever.. vou para casa, tenho um novo desabafo para partilhar... até ao dia em que te descobrir... ai, serão só para ti... apenas para ti...

terça-feira, 26 de setembro de 2006

mas...

Vieira de Leiria, 24-09-2006 - 2h19

quero gritar o teu nome mas o som fica preso na garganta...
procuro-te no telemovel mas não te encontro...
tento pensar no teu rosto, no teu sorriso, no teu olhar, mas não sei como és...
sei que existes mas não sei quem és ao certo...
penso em ti mas não apareces...
percorro as ruas em busca de ti mas não te vejo...
sonho contigo mas não passa disso mesmo, de um sonho...
tento desistir de ti mas algo diz para não o fazer...
quero ser mais feliz mas só a teu lado...
aparece mas fica...
amo-te mas aparece para me amares também...
mas...
há sempre um mas...
mas um dia deixará de haver...
será no dia que apareceres na minha vida mas porque nela irás ficar... para sempre!!

segunda-feira, 10 de julho de 2006

medo de ser feliz

Vieira de Leiria, 10-07-2006 - 1h50

quero rir, amar, sonhar, viver... mas o medo apodera-se de mim...
o fervilhar do sangue no meu corpo faz-me aquecer... medo de sofrer e fazer sofrer... medo de te perder... medo de te amar... mas a vontade de estar contigo é enorme... o teu sorriso, o teu olhar, a tua alegria... tanta coisa em ti que me atrai... tanta coisa que quero descobrir... o que pensas, o que queres, o que sonhas...
o medo nao me deixa falar... se ao menos soubesses o que sinto... quero gritar ao vento o teu nome... mas tenho medo... medo de te ter e perder... medo das lágrimas ja derramadas... medo dos meus sonhos...
medo de, quem sabe, ser feliz...

(continuação de "Amor ou Ilusão", de Agosto de 2004)

terça-feira, 27 de junho de 2006

grito por ti

Praia da Vieira, 26-06-2006 - 01h35

grito por ti... uma dor dilacerante corta-me o peito uma e outra vez sem compaixão... grito... as lágrimas explodem-me dos olhos como lava de um vulcão, que outrora adormecido, acorda cheio de raiva, de dor... como a lava descendo pela montanha procurando as valas vazias e secas pelo tempo querendo fugir para longe do seu ser, as minhas lágrimas inrompem pelo meu rosto abaixo... salgadas como um mar salgado, vão terminando o seu caminho nos meus lábios... outras, que percorrendo outras valas diferentes procurando serem mais rápidas, correm até ao queixo... até ao seu momento final, em que até ao último instante lutam por não se perder... até ao fim das forças... até se desprender e cair no infinito...
grito por ti... um grito forte, arrepiante, cheio de dor... mudo... o que outrora era nítido está completamente desfocado pela água salgada que teima em não parar... até quando... até quando este sofrimento constante... às vezes adormecido... com o dedo na areia húmida tento escrever o teu nome... mas o mar não o deixa fazer, apagando-o com pequenas ondas oscilantes... grito o teu nome... mudo... não tenho resposta... não me ouves...
mais um dia neste tormento... mais um... a juntar a tantos outros já passados...
por onde andas?... a tua falta... um pedaço de mim que está incompleto... pelo teu olhar... o teu sorriso... o toque dos nossos corpos... o teu... o meu... o nosso amor...
levanto os olhos para as estrelas que brilham no céu limpo, limpo de nuvens...mais uma vez... a última vez hoje... ganhando forças julgadas perdidas grito por ti... um grito forte... rouco... mudo... apenas, um grito... um grito por ti...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Para Ti, Sib

Praia da Vieira, 29-01-2006 - 02h53

subo as escadas que me levam ao terraço da casa e sento-me no último degrau... ajeito a roupa e ponho as mãos nos bolsos... fecho os olhos... sinto o vento fresco que sopra, batendo-me no rosto... lentamente começo a recordar momentos da minha vida... até que me recordo de ti... de como nos conhecemos... sorrio... nunca antes tinha abordado alguém daquela maneira tão directa...
horas, tantas horas de conversa... horas de sono perdidas e ao mesmo tempo ganhas... a mistura de fortes sentimentos, o apoio nas horas difíceis... tudo isto sem nunca nos termos visto... frente a frente... algo que, quase quatro anos depois, ainda não aconteceu... e acontecer para quê? momentos mágicos não se alteram...
encosto-me à parede e continuo a saborear este momento...
recordo-me de vaguear pelas ruas a pensar em ti... no passo que querias que déssemos... eram tantos os sentimentos... sei que durou uma semana, um das melhores de sempre... uma semana que me mudou para sempre... ter alguém que pensa em nós, que o mostra, que conta o tempo que falta até estarmos juntos... algo pelo qual nunca tinha passado... que nunca mais senti... de que tenho saudades...
sinto uma pequena lágrima que desliza pelo rosto caminhando para o seu fim no seco dos meus lábios arrefecidos pelo vento...
ficou a amizade... que, ora é mais intensa ora arrefece, mas que não acaba... sorrio...
o tempo passa depressa, mas continuarás sempre comigo... no teu lugar especial...
sê sempre como naquela noite de verão... sê sempre tu mesma e sorri!!

Amigo

Praia da Vieira, 05-01-2006 - 23h31

dedicatória aos meus amigos!!

um dia, ao olhar para trás, reparei que já conheci milhares de pessoas, todas elas diferentes entre elas... umas que vi quando ia no passeio, outras quando fui ver algum jogo de futebol, outras que conheci na escola... tantos sítios, tantas pessoas...
às vezes vejo alguém que não via desde o tempo da escola e penso para mim "como está mudada..."... os anos passam e ficam algumas recordações, algumas pessoas... alguns sentimentos... alguns sonhos... e ficam os amigos... aquelas pessoas que, a seguir há família (quando se é mesmo família...), são as pessoas mais importantes para nós...
os amigos não se fazem, não se escolhem... a sinceridade, o diálogo, a compreensão, a alegria é que os fazem... não se ganham pois não são um prémio...
não se perdem amigos, pois se eles se vão embora é porque nunca o foram...
amigo é alguém que sabe se estamos mal ou bem, que nos ouve e aconselha nos nossos problemas... que nos vê chorar por alguma perda e nos ampara... que nos vê rir e ri connosco... alguém que nos acompanha a vida toda... isto é ser Amigo!!...
haver pessoas que fazem o mesmo que os amigos e que, de um momento para o outro, nos deixam, isso são pessoas que, um dia mais tarde, ao fazerem o mesmo que eu, ao olhar para trás, vão reparar que estão sós... que não têm amigos...
a vida põe pessoas à nossa volta e ela mesmo nos diz quais as boas e as más... em ambas vemos as diferenças... ao escolhermos as boas, com o tempo, a vida nos dirá se serão amigos ou não... se ficarem...
Amigo, obrigado por tudo o quanto me ajudaste e ajudas!! estarás sempre no meu coração e pensamento!!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

abraçado a ti

Praia da Vieira, 27-12-2005 - 22:30

abraçado a ti... sinto a vida fugir com o fraquejar das forças... enquanto sorris, dás-me uma razão para não desistir tão facilmente... luto por ti, pelo nosso amor... por baixo de nós, a revolta das ondas faz-nos abraçar com mais força... o pensamento de sobreviver desvanece quando te sinto fugir de mim... as minhas forças fraquejaram... o sentimento de impotência apodera-se de mim ao ver-te cair nas ondas do mar revolto... deixo-me cair... sinto um breve arrepio gelado que irrompe pelo meu corpo... à volta, apenas vejo ondas, ora altas ora baixas... avisto o teu corpo quase perto do meu... nado para ti... os meus braços alcançam-te... os nosso corpos novamente juntos, desta vez, pela última vez, para sempre... nenhum de nós sente parte do corpo, gelado pelo frio... insensível à dor dilacerante que o fere... sorris... sorrio... dizes que me amas... amo-te... beijamo-nos lenta e suavemente pela última vez... os nossos corpos gelados começam a afundar na água gelada... não importa tudo o que está a acontecer... tens-me a mim... tenho-te a ti... o teu doce olhar, o mesmo que me fez perder tantas vezes... a nossa descida final está a acontecer... juntos até ao fim... abraçado a ti...