terça-feira, 20 de setembro de 2016

o teu beijo...

Vieira de Leiria, 20 de setembro de 2016 - 1h21


leio, releio e volto a ler as tuas palavras, os teus sentimentos descritos em simples palavras que me preenchem o coração e o fazem transbordar de felicidade...
dou por mim a sorrir... perco-me nos meus pensamentos... passo pelos lugares sem dar conta que o faço...
"- porque dizes que me amas?"
a pergunta que surge do silêncio faz-me voltar a mim...
"- porquê?"
"- sim, porque dizes que me amas? o que te faz levar a dizer isso?", dizes enquanto continuas com a cabeça repousada no meu peito...
julgo que nunca se está pronto para responder a esta pergunta pois, por mais que se diga, surgem sempre novas perguntas...
"- amo-te por momentos como estes... em que estamos abraçados e simplesmente esquecemos tudo o resto que nos rodeia e ouvimos as nossas respirações, sentimos o bater dos corações tendo o silêncio como banda sonora.."
beijo-te o cabelo e inalo o seu cheiro... o cheiro do shampoo que usas e que, combinado com o teu próprio cheiro, me perco por segundos...
"- apenas por isso?"
"- não... é algo mais que, por vezes, não se consegue explicar... que se deve sentir... é como aquela expressão "uma imagem vale por mil palavras"... e neste caso bem se podia aplicar como sendo "algo que se sente que vale por mil definições"... mas por que razão me perguntas isso?"
"- por nada... só para saber o que pensas..."
"- está bem... e tu porque me amas?"
"- quem te disse que te amo?"
"- não amas?"
"- amo... estava a meter-me contigo."
olhas para mim e sorris... o teu sorriso.. lindo... sincero...
beijamo-nos... uma e outra vez...
paramos...
sentamo-nos frente a frente e fitamo-nos olhos nos olhos...
passas-me uma mão suavemente desde o peito até ao pescoço... passando pelo queixo e deixando ficar os dedos sobre os meus lábios...
ao mesmo tempo, passo com um dedo lentamente desde a tua mão até ao antebraço... percorro o braço até ao ombro... pescoço... passando pelo queixo e deixo ficá-lo nos teus lábios...
com as tuas mãos no meu rosto e com as minhas no teu, puxamos um para o outro e deixamos os lábios tocarem-se... um leve arrepio percorre-nos a coluna desde a sua base até à nuca...
voltamos a tocar os lábios mas desta vez sem arrepio... o toque prolonga-se... os lábios afastam-se para depois voltarem a sentir-se juntos...
quando se voltam a afastar algo diferente está a acontecer... o meu lábio inferior está preso nos teus dentes... e sorris... gosto da sensação e também sorrio voltando a beijar-te...soltas-me o lábio e este embrulha-se nos teus procurando tocar cada milímetro...
afastas-te mas desta vez és tu a ser apanhada... o teu lábio fica preso nos meus mas sem mordida... apenas apertado pela vontade de não te largar...
sorris e voltas a aproximar... beijamo-nos lenta e suavemente...
o teu gosto... o meu gosto... confundem-se num só... combinando sensações...
os meus braços percorrem o teu corpo parando nas tuas costas... puxando-te para mim deixas-te deslizar até os nossos corpos estarem fundidos num só...
o beijo, esse ainda dura... e vai continuar a durar pois o tempo está parado e nada mais em redor importa neste momento...
beijo-te... beijas-me.. beijamo-nos... porque amar também é beijar... o teu beijo...

sábado, 17 de setembro de 2016

clic

Vieira de Leiria, 17 de setembro de 2016 - 01h40

 

Clic.
Um simples gesto faz com que, o que outrora era uma divisão da casa envolta na penumbra da noite, ganhe uma cor ténue que, com o passar dos segundos, passa a uma cor mais nítida.
Entro no escritório e sorrio enquanto me encaminho para o cadeirão que está a um canto.
Sento-me nele e desfolho o livro que trazia na mão até à página marcada. Retomo a leitura envolto no quase silêncio da casa.
Poucos minutos depois, surges à porta e mostras-me o teu sorriso rasgado aos veres-me a ler. Sorrio de volta e pisco o olho num gesto de cumplicidade.
Nos minutos que se seguem apenas se ouve o dedilhar no teclado do computador, as páginas do livro a serem desfolhadas e um ou outro suspiro solto sem querer.
Clic.
Quando nada o fazia prever, o quase silêncio é interrompido quando me perguntas:
- "Queres dormir cá hoje?"
- "Estás a falar a sério?" - respondo algo incrédulo julgando ter ouvido mal.
- "Hmm hmm, estou!" - dizes com um sorriso maroto mostrando-me depois a ponta da língua e piscando um olho.
Seguro o marcador que tinha posto na perna e coloco-o no livro marcando onde a leitura foi subitamente interrompida. Levanto-me e pouso o livro no canto da secretária, contornando-a e aproximo-me de ti.
Sentada na cadeira em frente à secretária desde que chegaste, observas-me com um sorriso enquanto me aproximo de ti e fico mesmo por detrás de ti.
Lentamente, baixo-me e envolvo-te com os meus braços. Ao senti-los, levantas uma mão e seguras-me um dos braços e repousas a cabeça no outro braço.
Clic.
Beijo-te a cabeça e, sorvendo o cheiro do teu shampoo, aproximo a minha boca da tua orelha e digo, sussurrando:
- "Amo-te, muito!!"
Voltas a sorrir e afastas-me. Rodas a cadeira e levantas-te ficando diante de mim, abraçando-me e sendo abraçada.
Os nossos lábios roçam-se uma e outra vez até que se tocam lentamente e lentamente partem à descoberta das muitas sensações inerentes ao beijo.
De um salto, escarranchas-te em mim com uma perna de cada lado do meu corpo, as quais seguro firmemente enquanto continuas a abraçar-me e a beijar-me como se fossemos um íman.
Lentamente, caminho para a porta do escritório quando de repente paras de me beijar e me olhas nos olhos. Com o teu olhar misterioso e penetrante voltas a sorrir mas, desta vez, de uma maneira ainda mais íntima.
Continuo a andar mas dizes para parar e recuar dois passos. Quando faço, levas o dedo ao interruptor.
Clic.

muitos dos acontecimentos que se sucedem na vida são precedidos de simples clic's...
clic's esses que, muitas das vezes nem nos apercebemos que acontecem... que, simplesmente, nos passam ao lado...
e é assim a vida... um simples clic...
um clic que nos faz lembrar algo que há muito tempo já nos tínhamos esquecido...
um clic que nos faz sonhar com algo adormecido...
um clic que nos faz ver uma pessoa de outra maneira...
um clic que nos faz perder alguém que é próximo...

tantos e tantos clic's que nos acompanham a vida inteira...
não desperdices um clic quando o vês, ouves ou sentes...
um dia pode ser tarde demais...

um clic dá, um clic tira...

já dizia o saudoso António Feio...


a vida, pura e simplesmente, é um... clic

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

apenas nós...

Vieira de Leiria, 09 de Setembro de 2016 - 02h15



mais uma noite acordado...
rodo sobre mim próprio e o meu corpo fica junto de ti deitados na cama do quarto...
lentamente, e contrariamente ao normal, afasto o lençol que te cobre e deixo que os meus olhos te observem... desnuda... frágil... desprotegida...
o meu olhar percorre todo o teu corpo... o mesmo que já me é familiar...
começo o percurso pelos pés... desde os dedos, passando pelas palmas, os calcanhares, os tornozelos...
continuo subindo lentamente pelas pernas até aos joelhos... seguindo pelas coxas e detenho-me na zona pélvica onde coloco, por instantes, uma mão de cada lado da mesma enquanto observo o umbigo... roubo-lhe um beijo e ouço o teu riso ao sentires o arrepio que o beijo te causou...
com a ponta da língua percorro o caminho ascendente até que me detenho junto aos seios... beijo um e depois o outro... voltas a arrepiar...
continuo o meu percurso e detenho-me no pescoço... o qual beijo uma... e outra... e outra... e outra vez em direcção de uma orelha...
como se se tratasse de um golpe de artes marciais, os nossos corpos embrulham-se para depois pararem de repente... ambos sentados na cama... mas o teu corpo sentado no meu... frente a frente... abraçados de maneira a estarmos algo afastados...
os meus lábios roçam ao de leve nos teus... apenas se sente a respiração cortada pelo desejo de tocar... sentir... arrepiar... beijar... lenta e suavemente...
sorris... sorrio... e deixamos que os lábios se toquem numa fracção de segundo e depois se afastarem e voltarem a sorrir...
novamente, aproximam-se e agora o tempo que se tocam é mais demorado... tempo que não importa o quanto dura o beijo... que dura o prazer de beijar e ser beijado... o sentir e partilhar...
o tempo passa sem se dar conta... sem contar o tempo que se passa assim...
sorrimos... abraçamo-nos... adormecemos... apenas nós...

terça-feira, 6 de setembro de 2016

asneira...

Vieira de Leiria, 06 de Setembro de 2016 - 00h57



Hoje não vou dizer que gosto de ti… que te adoro… que te amo...
Hoje não vou dizer o quanto me perco no teu sorriso… na tua boca… na tua língua… no teu gosto…
Hoje não vou dizer que quero tanto estar contigo… abraçar-te… beijar-te…
Hoje não vou dizer que quero adormecer contigo… sonhar contigo… acordar contigo…
Hoje não vou dizer que me fazes bem… que me motivas… que me fazes lutar… que me fazes sorrir…
Hoje não vou dizer… simplesmente não vou… não o farei…
Hoje não vou… não… não vou…
Durante o dia irás perguntar porque não digo nada…
E, no final do dia diante de ti, simplesmente direi que é tão bom dizer tudo o que não disse…
E no calor de um beijo… sussurrar tudo…
Dizer o que se sente… sem receios… sem vergonha… sem pudores…
Com a certeza de nunca mais voltar a fazer esta asneira...