terça-feira, 20 de abril de 2021

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 Vieira de Leiria, 20 de abril de 2021 - 00h30



e hoje é o meu aniversário...
é assim o curso normal da vida... aquela que nos dá e tira... aquela que aproxima e afasta... aquela que nos faz (sor)rir e chorar... aquela que nos puxa e empurra...
tantas situações e momentos que nos faz viver, sentir, aprender, corrigir... mas que não nos faz esquecer...
e é essa parte a mais dolorosa que nos acompanha... ora mais embaciada ora mais nítida... mas que faz parte de nós...
há momentos que nos presenteia com algo bom como pessoas, histórias, sentimentos... mas também que nos magoa quando nos tira...

e quando não é ela a magoar-nos, somos nós próprios que nos afastamos do que nos magoa ou quem magoamos... que ficamos quietos no nosso canto... que (sor)rimos quando estamos perto de alguém e nos afundamos na tristeza da solidão... que nos tornamos especialistas em esconder o que realmente sentimos... que vivemos de uma forma que não queremos que saibam... não por fraqueza mas porque, por mais que nos digam seja o que for para nos ajudar, por vezes a força para sair do poço não é a suficiente para se conseguir no próprio momento...

é uma luta... e enquanto houver força, será sempre uma luta... uma luta solitária...

quinta-feira, 11 de março de 2021

superação

Vieira de Leiria, 11 de março de 2021 - 23h25



palavra do dia - 11-mar-2021  -  superação


ninguém é mais que alguém!!
todos sorrimos e choramos, apoiamos e ralhamos, aplaudimos e apupamos...
todos temos 2 faces que se adequam ao momento que, por diversos motivos, possam surgir diante de nós...
por vezes estamos cansados, desanimados, desapontados... mas a vida não é isso, é algo que muitas pessoas passam uma vida a pedir ou à procura... algo que, por mais que queiramos, devia ser fácil de obter...
e é... está dentro de cada um de nós ter as forças, os mecanismos de defesa, os gatilhos de ignorar e ultrapassar o que nos quer abater... e a isso chama-se essência!!
é pura, única e incomparável!! é ela que devemos olhar, escutar e seguir!!
custa, como custa!! mas já dizia o anúncio "se não gostarmos de nós, quem gostará?"
e por mim falo... tanto que os (sor)risos escondem... tanto que as brincadeiras encobrem... tanto que tenho de (re)construir que não está à vista...
há que (re)erguer o queixo, olhar em frente, dar o primeiro passo e alcançar o que é preciso para (sor)rir por dentro!!
há que haver, hoje e sempre, superação!!

 

domingo, 14 de fevereiro de 2021

pontes da vida...

Vieira de Leiria, 14 de fevereiro de 2021 - 00h30



nota: antes de leres este texto, aconselho a ler as nossas mochilas pois é, em parte, a continuação...

paro...
a noite está escura e húmida tal como sempre nesta altura do ano...
estou, mais ou menos, no meio da ponte que une as duas margens... não há mais ninguém por perto nem trânsito pois, a esta hora, não se pode circular nas estradas... mas eu arrisquei e vim até aqui deixando o carro numa das margens e fazendo o resto do percurso a pé...
viro-me para o lado da foz e, com as mãos no vão, fecho os olhos e, deixando o vento passar por mim despenteando-me o que resta do cabelo, sorrio enquanto penso que apenas perdi o medo de atravessar pontes quando tinha dezassete anos... e logo no tabuleiro inferior da ponte Ponte Luíz I...
há quem não goste da sensação mas ainda bem pois não podemos nem devemos gostar todos das mesmas coisas... e eu adoro a sensação de liberdade que me faz sentir...
abro os olhos e, olhando para o chão, fixo o olhar na mochila que havia colocado no chão momentos antes... a mochila que me acompanha desde sempre e que estará sempre comigo...
inspiro fundo e coloco a mão direita no bolso do casaco tirando dele dois pequenos papéis, um dos quais com um pequeno furo... fecho a mão com os papéis nela no mesmo instante que fecho os olhos e deixo que a lembrança gravada em mim me invada...

"o comboio havia já chegado e parado mas, por algum motivo, as portas não abriram... duas carruagens atrás de onde estamos chega-nos uma voz a dizer que apenas se pode entrar na última carruagem, mesmo no fim da mesma...
a voz era a do revisor que, ao ver-nos, pôs a cabeça de fora da carruagem através de uma pequena janela e nos informou...
sorrimos e, com as nossas mochilas seguras por ambos, caminhámos em direcção à última carruagem...
enquanto caminhamos apercebo-me, pelo canto do olho, que estás um pouco tensa mas compreendo que esteja associado ao passo que estamos prestes a dar...
pouco antes de chegarmos à carruagem ouço o teu telemóvel a tocar e paramos para o tirares da carteira... vês quem é e baixas o olhar... em seguida, olhas-me nos olhos e dizes que tens de atender pois pode ser importante...
"- está bem. espero por ti ali mais à frente" digo fazendo o gesto com a cabeça indicando o local...
"- não, podes ir entrando" dizes enquanto soltas da mão a minha mochila... olho para ela e solto a minha da tua...
"estou?" ouço-te dizer enquanto atendes o telemóvel e te afastas um pouco... por breves instantes fico a observar-te para depois entrar na carruagem... escolho um banco duplo com outro virado para trás e ponho a minha mochila nele, mesmo à minha frente e sento-me...
olho pela janela e vejo-te um pouco mais afastada do comboio do que quando te deixei a atender a chamada...
sorrio e vejo-o reflectido na janela da carruagem... um simples e quase imperceptível sorriso...
fecho os olhos e revivo o suave toque dos teus lábios nos meus no nosso primeiro beijo... até que ouço bater na janela fazendo-me abrir os olhos...
estás do lado de fora e o teu olhar está fixo no meu... ouço a porta da carruagem fechar e sinto um pequeno solavanco na mesma começando a mover-se lentamente...
pões a tua mão esquerda aberta na janela nunca desviando o teu olhar do meu... ponho a minha mão direita alinhada com a tua na janela como se estivessem a tocar... "desculpa" consigo ler nos teus lábios para depois continuares "tenho medo de voar"...
"- eu sei que tens e nada mais posso fazer além do que já fiz" digo-te...
o comboio começa a ganhar mais movimento e tiras a mão da janela mas não deixando de o acompanhar... sorrio e tiro também a minha mão da janela...
"- não desistas de ti..." digo enquanto aponto para o peito com o dedo indicador...
paras e deixas que o comboio se afaste... ajeito-me no banco e fecho os olhos..."

sinto o vento passar por mim... sorrio e abro os olhos... na mão tenho os bilhetes do comboio e, entre rajadas de vento, deixo que ele os leve...
o meu cabelo, o que sobra dele, é despenteado descompassadamente ao ritmo do vento e é dessa forma que, depois de me baixar e pegar na mochila, me ergo e a ponho ao ombro... nela está o meu caminho, a minha vivência, as minhas memórias, as minhas pessoas, os meus sentimentos... nela está tudo o que sou e atravessei na vida... as pontes da vida...


durante a vida passamos por tantas situações, por tantas "merdas" que nos fazem sentir deslocados, tristes, sós, quietos no nosso canto, sossegados na nossa zona de conforto... e deixamos a vida passar por nós como se fosse possível amanhã nos sentirmos melhor, de resolver, de voltar a (sor)rir... mas esse dia teima muito em não aparecer... e, quando aparece, não lhe damos o devido valor e nos agarramos a ele para nos (re)erguer!! esse dia pode trazer um simples momento que nos preencha a essência com o que necessitamos... seja um encontro, uma festa, um simples café, uma pessoa...

e há pessoas que, simplesmente, entram nas nossas vidas e a fazem ter sentido... pessoas de e com luz própria que nos iluminam e fazem (re)acender a nossa própria luz que havia sido diminuída com o passar do tempo... pessoas que nos surpreendem por serem genuínas e que nos fazem acreditar em nós próprios e que nos fazem crescer como seres humanos... que, ao nos fazerem bem, se sentem bem e crescem também...

a vida é assim mesmo e, por mais que doa, por mais que assuste, por mais medo que se tenha em voltar a confiar, a abrir o peito e entregar o coração, o tempo não pára... a vida é uma metamorfose... não se pode ser uma lagarta a vida toda com medo de se transformar numa borboleta...

há quem nos segure a mão e caminhe connosco lado a lado... é assim que também se atravessam as pontes da vida...