sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

carta ao pai natal

Vieira de Leiria, 19-12-2008 - 03:12

Pai Natal

este ano decidi escrever-te uma carta pela primeira vez na minha vida. não sei se será a única vez que te escrevo mas se voltares a receber outra carta minha é porque voltei a escrever ou simplesmente porque recebeste esta mesma carta por duas vezes.
estou a escrever-te para me explicares algumas dúvidas sobre ti e também para pedir algo.
explica-me porque é que te chamam de Pai Natal se a maioria dos teus fãs são crianças. não te deverias chamar de Avô Natal? está certo que hoje em dia os homens em geral começam a ficar calvos e a ver os cabelos brancos começarem a surgir cada vez mais novos mas daí até ser-se pai numa idade assim tão avançada... deves ser bom para "assar"!!! aproveitaste a fraqueza de alguma "encalhada" que se sentou ao teu colo? malandreco!!
outra dúvida que não me tem saído do pensamento nos últimos dias é a seguinte: como consegues comer seja o que for sem te lambuzar?
pergunto-te isto pois este ano decidi, novamente, vestir-me como tu mas desta vez sem usar as barbas que se vende pelas lojas. são muitos incómodas, quentes, as pessoas não vêem a boca a mexer e, acima de tudo, deixam sempre pêlos na boca. no fim de as usar, passo uns bons cinco a dez minutos a tirar os pêlos.
para evitar isso deixei de cortar a barba no início de outubro, ou seja, quase três meses antes do dia que roubaste para ti.
como deves calcular, estão algo compridas mas nada que se compare com as tuas barbas.
pois bem, para beber seja o que for de um copo, o bigode fica quase de molho e quando como... aí, é a carga de trabalhos. tenho de esticar as pontas do bigode, uma para cada lado, e tentar não o lambuzar. o que me safa é que apenas como sopa em casa e, por norma, evito os molhos, senão estava ainda mais tramado...
cá para mim, ou atas o bigode e puxa-lo para cima do nariz ou pões uma embalagem de gel para ele ficar bem longe da boca.
já me disseram que és do partido comunista mas descartei logo essa firmação. não és de partido algum pois deixas qualquer pessoa sentar-se ao teu colo seja bom ou mau "partido".
e o vestires maioritariamente de vermelho? também me disseram que era por causa da coca-cola. devem ser tretas!! com a tua idade... só podes ser do nosso benfica da altura em que vias os jogos todos da década de cinquenta e sessenta porque nos últimos anos... apenas se safam os sete a um contra o leça há uns onze anos e as seis secas ao marítimo a semana passada.
e já agora... o "barbas", grande adepto do benfica é o teu fã número um? ou é teu filho e saiu mesmo ao pai?
acho que são estas as dúvidas... mas depois se me lembrar de mais alguma pergunto-te depois... ou não...
agora o pedido... como já vi tantas crianças a escrever-te cartas todos os anos e a receber algumas das prendas que pedem (espero que não tenhas desviado o guito do BPN e do banco privado porque senão tens de dividir comigo, caso contrário denuncio-te) resolvi por os dedos a escrever esta carta e aproveitar para os aquecer pois na rua estavam dois graus de temperatura.
pois muito bem pai ou avô natal, como preferires... o que te peço é algo carnal!!! e não comeces a por essa mente perversa a funcionar!!
trata-se de uma mulher que tenho andado a observar (não!! não sou nenhum voyeur) e de quem estou a gostar. não vou pedir para a pores no meu sapato, apesar de ser o quarenta e cinco e ela não caber lá mas sim que deixes cair sobre nós um pouco daquele pó mágico do natal que tanto se fala.
como vês, não é nada do outro mundo que te peço e é bem mais fácil do que transportares play-stations e barbies pelo mundo inteiro, explorando a força das tuas renas a puxar, não só o teu peso bem como sacos carregados de prendas para crianças que apenas se portam bem quando os pais dizem que os estás a ver.
por falar em renas, lembrei-me de outra dúvida. o rudolfo é mesmo... como hei-de dizer... ok, já sei... filho do batatoon? é que o nariz deles... são mesmo parecidos. não me digas que pensaste que ia perguntar se o rudolfo era paneleiro? não tenho nada a ver com isso... desde que não se chegue muito perto de mim...
mas voltando ao pedido... vê se consegues fazer alguma coisa pelo que te pedi. não sei se ela já reparou em mim mas se já o fez... fico contente mas ficava mais se ela o mostrasse...
bem, já tenho os dedos a escaldar e as letras do teclado a agarrarem-se a eles...
espero que não uses esta carta para acender a fogueira antes de a leres. depois de leres e me dares a prenda que te peço, se a merecer... podes moldurá-la e pô-la no corredor da tua casa ou simplesmente reciclá-la.

um abraço!!!

francisco

ps (não do partido mas sim do post scriptum) - sabes que não é o meu nome verdadeiro mas sabes quem eu sou...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

a queda...

Vieira de Leiria, 11-11-2008 - 00:55

a queda...
enquanto vou andando lentamente pelo passeio, o meu pensamento vai divagando longe do meu corpo... uma vez mais lembro o brilho dos teus olhos, o doce dos teus lábios, a alegria do teu rosto, o porto de abrigo do teu corpo...
salto por cima de um pequeno muro e caminho por entre a relva que percorre todo o chão que atravesso... paro e sento-me num banco de madeira, pondo as pernas esticadas no assento e as mãos nos bolsos do blusão... o frio, esse que tantas pessoas odeiam, fica a rodear-me juntamente com o vento gelado que insiste em mandar-me embora...
a queda...
fecho os olhos e deixo o vento soprar nos meus cabelos querendo levá-los com ele...
a escassos metros há minha frente começa uma falésia que termina abruptamente no mar imenso que se estende até se perder de vista...
fico a escutar o som das ondas a embater nas rochas uma e outra vez... e outra vez sem cessar, sem se cansar uma única vez em toda a sua existência...
penso em ti uma vez mais... já deixei de contar as vezes que em ti penso por cada dia que passa... de querer trazer-te a este pequeno mundo onde me deixo perder... perder apenas por ti...
a queda...
as forças de te encontrar vão-me abandonando a cada dia que passa... cada vez mais anseio o fim deste tormentoso deserto...
abro os olhos e sorrio... vejo que o sol terminou a sua descida no horizonte... levanto-me e caminho em direcção à falésia parando a pouca distância da sua descida final... levanto os braços e fecho novamente os olhos... deixo-me cair...
perco a noção do tempo que demoro a cair... o vento sopra contra mim querendo-me embalar para que não sinta a dor do impacto... até que... o corpo acaba a sua descida e embate contra o chão... não se sente dor... não se sente tristeza nem alegria... não se sorri nem se chora... apenas não se sente seja o que for que existisse antes... e será que continua a existir?
a queda...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

desabafos

Vieira de Leiria, 28-10-2008 - 00:48

mais uma noite em frente ao computador enquanto o resto da família dorme nas suas camas.
lá fora o vento sopra parecendo assobiar quando bate nas paredes e fazendo remoinho, recordando-me de quando era garoto e ia cedo para o infantário e, anos mais tarde, vagueando pelas ruas de mãos nos bolsos do blusão, andando lentamente pelas mesmas ruas vezes sem conta, quase conhecendo cada pedra dos passeios e sentindo o vento a bater-me no rosto. uma e outra vez.
sento-me na minha cadeira e abro um novo documento do “word” e preparo-me para escrever este mesmo desabafo sem saber, pela primeira vez, qual o título a dar. nunca antes me tinha acontecido.
mil e uma ideias passam-me pela cabeça, mil e uma ideias desaparecem quase sem deixar rasto. tantas vezes que os pensamentos de como escrever me surgem e porque na altura não posso escrever simplesmente desaparecem.
escolho algumas músicas e ponho a tocar a primeira da lista. um dueto de laura pausini e hélène ségara de seu título “on n'oublie jamais rien on vit avec”.
à medida que vou escrevendo, a música sobrepõe-se ao som do vento que sopra cada vez mais intensamente.
os dias vão passando um após o outro. as noites vão passando uma após a outra e apenas de tempos a tempos é que damos por isso. quando, por algum motivo, olhamos para trás no tempo e vimos que apenas já não somos a criança que ia para o infantário. o jovem que corria atrás da bola de futebol a toda a hora. o homem que se levantava de manhã para ir trabalhar e que sorria quando via o extracto bancário e via o seu ordenado na conta. o mesmo homem que sonha em ser feliz ao lado de quem ama, sentindo-se amado.
paro de escrever e fecho os olhos. um rosto familiar surge diante de mim.
sorrio.
voltaste a aparecer no meu pensamento.
com os teus braços envolves-me e sinto o teu calor em mim. o teu cheiro, o teu sorriso, o teu amor, a tua respiração, o teu gosto. apenas como te conheço todos estes anos.
ao longe ouço agora david fonseca e ana rita com a música “hold still II”. sorris para mim e sinto novamente o teu gosto que me faz esquecer tudo o que existe no mundo. o que tenho, o que não tenho, o que gostava de ter, o que sei que nunca terei.
abro os olhos e vejo o monitor do computador com estas palavras escritas.
tudo o que passei ninguém sabe o que me custou. tudo o que estou a passar ninguém sabe o que me está a custar, a suportar. apenas dizem que não é fácil e ignoram ou preferem ignorar o que sinto.
quando digo que apenas me deito por volta das cinco da manhã apenas respondem que é porque posso. quando digo que me levanto por volta das onze da manhã apenas respondem que também gostariam. quando pergunto se querem trocar comigo apenas respondem que não e simplesmente morre o assunto ali mesmo sem direito a um ramo de flores.
não são estas as pessoas que, por mais que julguem que sim, se importam e que me querem ver bem, pois tenho algumas dúvidas que o queiram, que me fazem lutar dia após dia.
a música termina e na rua o vento sopra com força.
a música seguinte é a “the saddest song” da annie lennox.
fecho os olhos novamente e recordo-me do rosto que me tem acompanhado todos estes anos. ano após ano, mês após mês, semana após semana, dia após dia, hora após hora, minuto após minuto, segundo após segundo.
apenas a pessoa que me ama.
apenas a pessoa que amo.
abro novamente os olhos.
leio tudo o que acabo de escrever e sorrio. pela primeira que não uso reticências no que escrevo.
apenas porque são desabafos.

domingo, 5 de outubro de 2008

estarás aí?

Vieira de Leiria, 07-09-2008 - 01:10

estarás aí?
entro no carro e preparo-me para uma nova viagem ao velho destino que nos últimos anos tem sido o meu local de reflexão... quem sabe para te encontrar...
ao chegar à entrada da localidade contorno a rotunda e saio para a avenida que me leva direito ao meu destino... vinte metros à minha frente, um outro carro entra na estrada na faixa onde me encontro, o que me faz mudar para a faixa da esquerda para puder ultrapassar...
poucos metros antes de ultrapassar o carro, o condutor do mesmo vira para a faixa onde me encontro para fazer inversão de marcha...
travo... travo mais... e mais... rodo o volante para a esquerda... subo o lancil do separador central... e...
estarás aí?
suspenso no tempo, sinto-me sair e pairar sobre o que está para acontecer... será que...?
onde estás? onde está o teu sorriso com o qual sonho noite após noite... os sonhos que me atormentam noites sem cessar que parecem ser uma vida paralela enquanto durmo...
sonhos em que somos felizes... em que rimos... amamos... sofremos... apenas, vivemos...
sonhos em que nada nem ninguém se mete entre nós, entre os nossos sentimentos...
sonhos em que nos complementamos cada vez mais a cada dia que passa...
sonhos em que nos conhecemos... que nos revelamos... que nos aproximamos...
sonhos em que...
estarás aí?
volto novamente para o carro...
o som do ABS torna-se cada vez mais nítido... até que...
o som abafado que se faz ouvir...
o movimento do corpo se faz sentir ao ser projectado para a frente logo parado pelo cinto de segurança...
o calor terrivelmente quente que invade o corpo repentinamente...
a sensação de impotência por tudo o que se tentou fazer para evitar o inevitável...
o choque de saber que os carros bateram...
o ligar os piscas de perigo...
o sair do carro com as forças a faltarem no corpo para ir ver os estragos...
os palavrões ditos como forma de "alívio"... de descompressão...
o vestir do colete reflector...
o colocar do triângulo de perigo na estrada...
os telefonemas...
a longa espera de vinte minutos pela polícia...
as medições para o croqui da polícia...
os testes de alcoolémia...
o preenchimento de toda a papelada do auto...
estarás aí?
sem forças para seguir em frente, volto para casa...
hoje que tinha novamente esperança de te encontrar no meu local "sagrado"...
esperança de tornar os meus sonhos em pura realidade... realidade essa que torna a ficar adiada...
as palavras que continuam por dizer... momentos por partilhar...
apesar de tudo sei que o nosso momento ainda está para acontecer mas... será que ainda...
estarás aí?

domingo, 20 de julho de 2008

e depois...

Vieira de Leiria, 20-07-2008 - 02:20

e depois...
depois... dois curtos e longos meses...

Vieira de Leiria, 20-05-2008 - por volta da 1h00

e depois…
olhas para mim e perguntas “queres boleia?”…
num momento irreflectido respondo “obrigado… vou a pé…”

Actualidade

e depois...
saio pela mesma porta e paro no mesmo sítio no qual parei à dois meses e olho na mesma direcção... no meu inconsciente vejo-te no mesmo lugar a fazer a mesma pergunta...
sem aviso, sinto-me invadido por uma onda de decepção que me atinge ferozmente o peito... não consigo respirar, não me consigo mexer, não consigo falar...
por instantes permaneço imóvel desejando que o tempo recuasse e me trouxesse esse momento das nossas vidas... mas não volta... os momentos nunca se repetem... por muito semelhantes que pareçam nunca serão iguais...
e depois...
uma vez mais, percorro as ruas sem rumo... sem saber por onde andar... a vida continua dois meses depois daquela noite que não me sai do pensamento, que me atormenta dia após dia sem cessar... como seria o dia depois dessa noite? e o dia seguinte? e todos os outros que se seguiriam depois? não sei...
porque optei pela resposta errada querendo depois remediar o erro?...
como desejo que a história parasse nesse momento, apagar e reescrever as palavras ditas... como continuo a desejar o mesmo depois destes dois meses...
e depois...
a suave e fresca brisa da noite de Verão sopra no meu rosto enquanto me aproximo do banco do jardim e me sento numa das extremidades...
olho em redor e nada se mexe... apenas eu neste pequeno mundo que me rodeia...
recosto-me e fecho os olhos...
como num estalar de dedos, vejo-te no mesmo sítio como há dois meses atrás a fazeres a mesma pergunta...
uma onda de alegria invade todo o meu coração... abro a boca para te responder...
e depois...
abro os olhos... olho em redor... novamente no banco de jardim...
dois meses se passaram e continuo a ser atormentado por aquele momento...
este momento que não me larga o pensamento fazendo-me recordá-lo dia após dia, ferindo-me a alma sempre que nele penso...
que fazer?... que dizer?... que pensar?...
apenas sei que nada será igual ao que foi até hoje...
e depois...

domingo, 15 de junho de 2008

quatro anos

Vieira de Leiria, 15-06-2008 - 03h15

quatro anos...
48 meses...
1461 dias...
35.064 horas...
2.103.840 minutos...
126.230.400 segundos...
este é o balanço de todo o tempo que partilho parte do meu pensamento escrito em 27 posts...
quatro anos...
parece que foi ontem que surgiu o nome Francisco mas foi por volta de Janeiro de 2000 que me dei a conhecer a um grupo restrito de pessoas.
durante quatro anos estive escondido... isolado de tudo e de todos... reprimindo os meus sentimentos... até que há quatro anos decidi arriscar e dar-me a conhecer lentamente a poucas pessoas e também a ser descoberto por algumas...
é a opinião dessas pessoas que me fazem continuar e tentar melhorar sempre...
acredito que um dia acontecerá algo semelhante ao que escrevo e é esse sonho e essas pessoas que me fazem continuar a sonhar o meu sonho dia após dia, momento após momento... sonho esse que está adormecido pelos anos, embalado pelo tempo...

já dizia o poeta António Gedeão que...

"Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança."

Pedra Filosofal, in Movimento Perpétuo, 1956

um simples sonho é tudo isto e algo mais que varia de pessoa para pessoa, sejam quais forem as suas ideologias, crenças...

nunca desistam dos vossos sonhos e...
Sorriam para a Vida para que a Vida vos Sorria!!

sexta-feira, 13 de junho de 2008

salva-me...

Vieira de Leiria, 12-06-2008 - 03h41

salva-me…
uma vez mais, paro o carro no meu lugar preferido e desligo o motor… deixo-me ficar sentado a observar o manto escuro que cobre a praia deserta nesta quente noite de final de primavera… com a ponta do dedo indicador, percorro as várias estações de rádio memorizadas no auto-rádio em busca de algo que me faça viajar no espaço e no tempo mesmo que para tal apenas precise de fechar os olhos… após uma fugaz procura, desisto e ligo o leitor de mp3 pois sei haver aquela música que te quero dar a conhecer um dia…
eis que a consigo encontrar e a ponho a tocar… “crimson doves - runing away”…
fecho os olhos e deixo-me levar pelo ritmo suave da parte inicial da música que ouvi pela primeira na série “ghost whisperer” (na realidade este tema é interpretado por “three days grace” e também por “midnight hour”)…
salva-me…
sinto-me despegar do meu corpo e afastar do sítio onde estou…
perco-me pelas ruas na esperança de te encontrar perdida à minha procura quando de repente paro e escuto o silêncio em busca do doce da tua voz chamando pelo meu nome… em vão… novamente uma vez mais enganado pelo pensamento de te encontrar na tua procura por mim…
procura que se tornou em rotina constante ao longo dos últimos anos das nossas vidas…
de repente, vejo alguém caminhando pela areia molhada que me prende o olhar por largos instantes e que, com medo de ser uma partida dos meus olhos, evito pestanejar até que… o faço e continuo a ver alguém que parece ser… tu…
o coração acelera no seu constante movimento querendo agora saltar do seu reservado espaço…
sinto-me a desaparecer até que… abro os olhos de repente e vejo que estou novamente no carro mas agora a fazer-se ouvir a música “roxette - anyone i love how you love me” (do álbum “The RoxBox 86-06”, trata-se de uma adaptação da música “roxette - anyone” e de “the paris sisters - i love how you love me” de 1961)
saio do carro e corro para o sítio onde te vi há instantes atrás mas, ao chegar, vejo que foi em vão… novamente em vão…
deixo-me cair sobre os joelhos e sento-me sobre as pernas deixando-me assim ficar por instantes até que a dor se apodera de mim… fecho os olhos e as lágrimas desprendem-se e caem abruptamente pelo meu rosto até se desprenderem e se perderem para sempre na areia...
salva-me…
deixo-me assim ficar até que ouço o doce e suave da tua voz…
abro os olhos e vejo-te diante de mim… serás real??
o teu corpo diante do meu… os teus olhos lindos olhando para mim em sintonia com o teu sorriso ambos cobertos de vez em quando pelos teus cabelos…
lentamente afasto uma mecha de cabelo que teimou em ficar entre nós e deixo ficar a minha mão no teu rosto, na qual decides repousar a tua cabeça por breves instantes antes de nos aproximar-mos…
os nossos lábios humedecidos pela maresia encontram-se, pondo fim a tantos anos de espera mútua…
salva-me…

terça-feira, 13 de maio de 2008

naufragando num turbilhão de sentimentos...

Vieira de Leiria, 13-05-2008 - 01h17

naufragando num turbilhão de sentimentos indefinidos...
é assim quando solto as amarras e me afasto lentamente do porto de abrigo rumo a águas por onde nunca me atrevi a navegar. águas desconhecidas e distantes do que costumo cruzar, ora em dias de sossego ora em dias de tempestade.
com o olhar distante, liberto o pensamento das pessoas que comigo se preocupam, que desejam o meu bem estar, a minha alegria, o meu sorriso. liberto também o pensamento das pessoas que me querem deitar abaixo, que me querem ver naufragado a qualquer custo.
quanto mais me afasto mais a calma me invade, mais o pensamento fica livre de tudo o que me rodeava, até que... o que era outrora uma brisa é agora uma forte tempestade que se aproxima.
porquê fugir dela? porquê fugir deste problema? a vida é cheia deles e não adianta fugir.
fecho os olhos e deixo-a avançar direita a mim... sinto as ondas e deixo-me ir nelas.
naufragando num turbilhão de sentimentos indefinidos...
mil e um pensamentos me invadem como o ar que inspiro a muito custo.
as pessoas que entraram na minha vida, as que saíram, as que ficaram... os momentos bons, os menos bons, os que se recordam, os que julgara se terem perdido no tempo.
as frases que me disseram, as que eu disse, as que ficaram por dizer...
uma dor dilacerante percorre-me o peito ao ser assaltado por tudo o que ficou por dizer... por vergonha? por medo da reacção às palavras? pelo medo de causar sofrimento? por ter amado? não sei...
teríamos... será que... durante... como... porque...
as perguntas invadem-me mas sei que não terei as respostas.
sinto-me a adormecer e deixo que isso aconteça. será que é pela última vez? tudo indica que sim...
abro os olhos lentamente e vejo o areal branco que se estende até perder de vista.
estou vivo? estou!
a vida costuma dar algumas oportunidades para alterar o rumo da vida.
esta é a minha vida...
naufragando num turbilhão de sentimentos indefinidos...

domingo, 2 de março de 2008

rosa vermelha

Vieira de Leiria, 02-03-2008 - 03h38

depois de estacionar o carro no lugar do costume, rodo a chave para o desligar… descalço os sapatos e tiro também as meias, enrolando-as sobre si pondo-as de seguida dentro dos respectivos sapatos… dobro as calças até perto do joelho e saio do carro, fechando-o…
encaminho-me para as escadas que me levam ao meu destino… enquanto ando, olho para a mão e sorrio… lembro o porquê de estar a levar uma rosa… uma bela rosa vermelha…
acordo de manhã e lembro-me do sonho que tive e no qual me pediste para ir ter contigo ao pôr do sol no nosso lugar mágico… “será que…” penso… “sim, quero ver o que vai acontecer”… antes de ir para o nosso encontro, paro na florista e pego numa rosa vermelha… a mais bela e perfeita que jamais tinha visto…
desvio o olhar da mão em direcção ao lugar por ti referido no sonho…
chegado lá, abaixo-me e sento-me na areia branca e solta… o pôr do sol está quase a acontecer… observo a bela rosa vermelha e penso se estarás por perto, a tempo de chegar a tempo…
o sol faz o seu caminho desaparecendo no horizonte… não apareceste…
levanto-me e caminho para a areia molhada pelas ondas… continuo a avançar até as ondas me baterem nas pernas… fecho a mão e aperto os espinhos que se cravam na palma e nos dedos… a dor percorre-me o corpo todo acompanhada por uma onda de calor… lentamente, abro a mão e deixo cair o que resta da bela rosa vermelha… o sangue vermelho vivo não hesita em fazer a sua aparição nas feridas abertas e doridas pelos espinhos… passo a mão pela água do mar e deixo-a secar pelo vento…
cabisbaixo, volto-me lentamente para me ir embora quando… diante de mim está a razão da minha vinda… cada dia mais linda, olhas para mim e sorris… o teu sorriso…
deixas os sapatos na areia solta e avanças na minha direcção… paras…abaixaste e apanhas a rosa que tinha sido levada por uma onda até ti… caminhas até mim e seguras na minha mão… uma lágrima desprende-se do teu rosto… uma simples e brilhante lágrima de alegria… a minha mão afasta os teus cabelos que o vento soprou para o rosto… quero perder-me nos teus olhos… novamente… sempre…
os nossos braços procuram os nossos corpos, juntando-os…o silêncio das palavras que não são ditas apenas porque não são precisas… apenas se ouvem as ondas… mostras-me a rosa e sussurras-me… “é a mais bela”… abano a cabeça e respondo… “não… tu és a mais bela”…
os nossos lábios tocam-se, lenta e suavemente numa dança constante de amor diante de uma rosa… uma bela rosa vermelha…