domingo, 15 de junho de 2008

quatro anos

Vieira de Leiria, 15-06-2008 - 03h15

quatro anos...
48 meses...
1461 dias...
35.064 horas...
2.103.840 minutos...
126.230.400 segundos...
este é o balanço de todo o tempo que partilho parte do meu pensamento escrito em 27 posts...
quatro anos...
parece que foi ontem que surgiu o nome Francisco mas foi por volta de Janeiro de 2000 que me dei a conhecer a um grupo restrito de pessoas.
durante quatro anos estive escondido... isolado de tudo e de todos... reprimindo os meus sentimentos... até que há quatro anos decidi arriscar e dar-me a conhecer lentamente a poucas pessoas e também a ser descoberto por algumas...
é a opinião dessas pessoas que me fazem continuar e tentar melhorar sempre...
acredito que um dia acontecerá algo semelhante ao que escrevo e é esse sonho e essas pessoas que me fazem continuar a sonhar o meu sonho dia após dia, momento após momento... sonho esse que está adormecido pelos anos, embalado pelo tempo...

já dizia o poeta António Gedeão que...

"Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança."

Pedra Filosofal, in Movimento Perpétuo, 1956

um simples sonho é tudo isto e algo mais que varia de pessoa para pessoa, sejam quais forem as suas ideologias, crenças...

nunca desistam dos vossos sonhos e...
Sorriam para a Vida para que a Vida vos Sorria!!

sexta-feira, 13 de junho de 2008

salva-me...

Vieira de Leiria, 12-06-2008 - 03h41

salva-me…
uma vez mais, paro o carro no meu lugar preferido e desligo o motor… deixo-me ficar sentado a observar o manto escuro que cobre a praia deserta nesta quente noite de final de primavera… com a ponta do dedo indicador, percorro as várias estações de rádio memorizadas no auto-rádio em busca de algo que me faça viajar no espaço e no tempo mesmo que para tal apenas precise de fechar os olhos… após uma fugaz procura, desisto e ligo o leitor de mp3 pois sei haver aquela música que te quero dar a conhecer um dia…
eis que a consigo encontrar e a ponho a tocar… “crimson doves - runing away”…
fecho os olhos e deixo-me levar pelo ritmo suave da parte inicial da música que ouvi pela primeira na série “ghost whisperer” (na realidade este tema é interpretado por “three days grace” e também por “midnight hour”)…
salva-me…
sinto-me despegar do meu corpo e afastar do sítio onde estou…
perco-me pelas ruas na esperança de te encontrar perdida à minha procura quando de repente paro e escuto o silêncio em busca do doce da tua voz chamando pelo meu nome… em vão… novamente uma vez mais enganado pelo pensamento de te encontrar na tua procura por mim…
procura que se tornou em rotina constante ao longo dos últimos anos das nossas vidas…
de repente, vejo alguém caminhando pela areia molhada que me prende o olhar por largos instantes e que, com medo de ser uma partida dos meus olhos, evito pestanejar até que… o faço e continuo a ver alguém que parece ser… tu…
o coração acelera no seu constante movimento querendo agora saltar do seu reservado espaço…
sinto-me a desaparecer até que… abro os olhos de repente e vejo que estou novamente no carro mas agora a fazer-se ouvir a música “roxette - anyone i love how you love me” (do álbum “The RoxBox 86-06”, trata-se de uma adaptação da música “roxette - anyone” e de “the paris sisters - i love how you love me” de 1961)
saio do carro e corro para o sítio onde te vi há instantes atrás mas, ao chegar, vejo que foi em vão… novamente em vão…
deixo-me cair sobre os joelhos e sento-me sobre as pernas deixando-me assim ficar por instantes até que a dor se apodera de mim… fecho os olhos e as lágrimas desprendem-se e caem abruptamente pelo meu rosto até se desprenderem e se perderem para sempre na areia...
salva-me…
deixo-me assim ficar até que ouço o doce e suave da tua voz…
abro os olhos e vejo-te diante de mim… serás real??
o teu corpo diante do meu… os teus olhos lindos olhando para mim em sintonia com o teu sorriso ambos cobertos de vez em quando pelos teus cabelos…
lentamente afasto uma mecha de cabelo que teimou em ficar entre nós e deixo ficar a minha mão no teu rosto, na qual decides repousar a tua cabeça por breves instantes antes de nos aproximar-mos…
os nossos lábios humedecidos pela maresia encontram-se, pondo fim a tantos anos de espera mútua…
salva-me…