sexta-feira, 22 de junho de 2018

as nossas mochilas

Vieira de Leiria, 22 de junho de 2018 - 02h22

 

dois minutos antes da hora marcada chego ao local combinado. é uma velha estação de comboios que resiste aos tempos modernos e que, contra as adversidades dos mesmos, ainda se mantém aberta apesar de não ter qualquer funcionário a trabalhar nela. os comboios chegam, param por breves minutos e depois seguem o seu destino. raramente entra ou sai quem quer que seja nestes mas é assim a escala e o horários deles.
ao ombro trago uma mochila que pouso entre os pés antes de me sentar no banco que se encontra encostado à estação mesmo defronte para as duas linhas paralelas. do outro lado, do lado de lá das linhas, velhas árvores inclinadas pelos anos estão repletas de flores primaveris que se encontram no seu auge perfumando o ar envolvente à estação por causa de uma breve brisa que se faz sentir. junto às árvores também estão alguns roseirais bravos que foram nascendo por via de outrora terem havido canteiros de flores diversas. tempos em que a estação era um ponto de encontro de chegadas e partidas, beijos e abraços, lágrimas e sorrisos, felicidade e tristeza. outros tempos, outras vidas.
ao ver as rosas sorrio e fecho os olhos. lembro, querendo e desejando ver a tua expressão, do dia que recebeste a primeira rosa que pedi que te entregassem. como gostava de ter visto, escondido em silêncio, simplesmente para te ver no meio da tua timidez ao segurar nela e caminhares pela rua, sentindo o olhar das pessoas a desejarem também ter recebido uma igual.
absorto do mundo e envolto nos meus pensamentos não me apercebo que também já chegaste, só me apercebendo quando, depois de te sentares a meu lado, me tocas com a mão na perna trazendo-me de volta ao mundo.
sorrio. sorris.
no chão, também junto aos teus pés, tens a tua mochila.
"- está tudo aí?" - pergunto-te fazendo o gesto com a cabeça indicando a mochila.
"- sim, está." - respondes enquanto seguras a mochila e a colocas no teu colo.
"- posso espreitar?"
"- sim, podes"- dizes enquanto abres o fecho.
assim que o fecho da mochila está completamente aberto, espreito para dentro dela. um misto de alegria e tristeza invade-me fazendo com que o meu olhar encontre o teu. aproximo os meus lábios da tua testa e beijo-a demoradamente.
ao afastar-me vejo um pequeno sorriso triste em ti.
"- nada disso. nada de te sentires triste." - digo-te enquanto passo uma mão pelas tuas costas prendendo-a no ombro e puxando-te para junto de mim.
sorris. desta vez menos triste.
volto a olhar para dentro da mochila e encontro-te lá. as alegrias e as tristezas, as dúvidas e as certezas, as lágrimas e os sorrisos, a insegurança e a confiança, a solidão e os sonhos, a auto-estima e o amor entre tantos outros.
"- conheço muito do que aqui tens."
"- pois conheces. conheces muito de mim." - respondes piscando-me um olho.
"- há algumas coisas que não pertencem aqui. sabes isso, não sabes?"
"- sei. mas sozinha não consigo tirá-las."
"- não estás sozinha."
"- sei que estás aqui mas... até quando estarás?" - perguntas olhando-me nos olhos.
"- até ao dia que não houver pôr-do-sol." - respondo-te deixando os meus olhos fixos nos teus.
sorris.
"- posso ver a tua mochila?" - perguntas.
"- sim, claro que podes." - segurando-a e abrindo-lhe o fecho.
"- tal como me disseste que era." - dizes enquanto olhas para dentro dela.
nela vês tanto em comum com o que tens na tua mochila. no entanto, ao veres um espaço vazio ficas com um ar intrigado.
"- que espaço vazio é este?"
"- este espaço esteve sempre assim enquanto ia enchendo o resto da mochila." - respondo com o olhar preso num ponto algures no vácuo da visão.
"- sou eu quem ali está"- dizes ao fixares o olhar num canto do espaço da mochila.
"- sim, és tu. e esse espaço é apenas e só teu e será sempre só para ti." - digo já com o olhar preso no teu.
sorris e colocas a mochila no chão perto da tua. levantas-te para, logo de seguida, te sentares no meu colo de frente para mim.
diante de mim tenho duas personagens da disney estampadas na tua camisola. sorrio ao vê-las. sorris ao ver-me sorrir.
os teus braços procuram o meu corpo e abraças-te a ele ao mesmo tempo que os meus braços te abraçam e te junto a mim.
paz.
tranquilidade.
protecção.
tanto e tanto mais num simples gesto que nos faz esquecer de tudo e todos. que nos faz parar no tempo e que o tempo não importa. o tempo não tem tempo de se intrometer entre nós.
e o teu cheiro que se entranha em mim sem pedir licença pois sabe que não precisa de o fazer, que o deve fazer.
afastas-te um pouco e olhas-me nos olhos encontrando-te neles. olho-te nos olhos e encontro-me neles.
lentamente os meus lábios procuram os teus que, ao sentirem-se procurados, procuram os meus. e tocam-se. roçam-se uma e outra vez em pequenos movimentos lentos. sentidos. arrepiados.
suavemente perdem a timidez e envolvem-se suavemente procurando cada milímetro de cada um deles. tocando. sentindo. misturando. gostando.
o que era outrora apenas um roçar de lábios é agora uma envolvência de sabores. de gostos gostados por pessoas que se gostam. se adoram. se amam. um beijo que faz o imaterial das almas se tocarem. se unirem. se fundirem.
ao longe ouve-se um apito. o comboio está a chegar.
paramos o beijo e sorrimos.
levanto-me do banco trazendo-te agarrada a mim. de braços à volta do pescoço e pernas à volta da cintura.
beijas-me suavemente e retribuo lentamente.
deixas-te escorregar até os teus pés tocarem no chão.
o comboio está quase a parar.
tiro os bilhetes do bolso e ficamos a olhar para eles por instantes, mais precisamente para o local do destino.
"- preparada para apanhar o comboio?" - pergunto depois de te beijar a testa.
"- sim, estou." - respondes sorrindo.
seguro as mochilas com a mão esquerda. seguras as mochilas com a mão direita. as mochilas seguem assim connosco, entre nós. partilhadas. conhecidas. respeitadas. as nossas mochilas.

terça-feira, 22 de maio de 2018

vive os teus sonhos!!

Vieira de Leiria, 22 de maio de 2018 - 12h34

 

"- estás bem?" perguntas mantendo-te imóvel junto a mim...
sentados lado a lado na areia vemos ao longe, onde o céu beija o mar, o sol quase a tocar na linha do horizonte para nela se aninhar e desaparecer deste dia...
encostada a mim, rodeada pelo meu abraço, não tiras os olhos dele por um segundo pois todos os segundos são diferentes...
"- sim, estou!! estás aqui..." respondo encostando depois o meu queixo à tua cabeça...
"- pois estou. hoje de uma maneira diferente de todas as outras" dizes aconchegando-te um pouco mais a mim e ao abraço...
de vez em quando sente-se uma ligeira brisa amena a passar por nós e, a alguns metros, um bando de gaivotas anda pela areia molhada pelo mar... quando este se aproxima elas afastam-se para depois correrem para ele quando está a voltar para trás... bicam na areia à procura de algo que lhes sacie o estômago...
o sol já toca a linha imaginária e começa a ser absorvido por ela...
"- este momento é muito diferente das fotografias que tiras. têm um sentimento tão forte, acolhedor, envolvente que, não sei como, me faz sentir muito bem"
"- pois faz... as fotografias não transmitem tudo o que deviam..." respondo beijando-te o cabelo...
durante mais uns minutos ficamos em silêncio apenas com o som suave do rebentar das ondas...
"- isto foi... maravilhoso! é sempre assim?" perguntas enquanto rodas a cabeça e viras o rosto para mim depois do sol desaparecer...
"- é sempre maravilhoso... e nunca há dois iguais" respondo olhando-te nos olhos...
"- era um dos teus sonhos, não era? aqui comigo?" perguntas sorrindo...
"- sim, era... mais um realizado"
"- ainda tens muitos por realizar?"
"- não, sempre tive poucos..."
"- qual o mais importante?"
"- todos são importantes mas... ter alguém para amar e ser amado..."
beijas-me e retribuo-te o gesto beijando-te ternamente...
"- e se um dia... te realizasse esse sonho?" perguntas entre um beijo e outro...
"- seria muito mais feliz que neste momento... e tudo faria para o continuar a ser sempre e para que tu o fosses mais que eu..." respondo prendendo o meu olhar no teu...
sorris e devolvo-te o sorriso beijando-te a testa para depois nos beijarmos lenta e suavemente...


há quem lhes chame objectivos de vida, metas, realizações, projectos e outras coisas mais... mas eu prefiro chamar-lhes de... sonhos!!

estes sonhos não são aqueles que são comidos ou tidos durante as poucas ou muitas horas de sono mas sim aqueles que, com o passar dos anos e com a vivência que se vai adquirindo durante os mesmos, nos fazem querer algo que nos complemente, que faça a nossa passagem por este mundo ter algum significado, algum sentido, algum propósito... que nos faça sentir bem connosco próprios, que nos faça sentir, de alguma forma, mais preenchidos ou, até mesmo, completos!!

durante a nossa vivência quantas vezes já falámos com alguém ou já ouvimos alguém dizer "o meu sonho é ter uma casa" ou "o meu sonho é ter um bom emprego para ter uma vida desafogada" ou "o meu sonho é ter saúde e com ela poder fazer o que quiser" ou até mesmo "o meu sonho é ser feliz ao lado do amor da minha vida" e tantas outras frases? muitas vezes!! e quando não o dizemos a alguém, dizemos a nós próprios... uma e outra vez pela vida fora...

a vida coloca-nos diariamente ferramentas, sejam elas acções, reacções, decisões, pessoas, sentimentos e tanto mais, no nosso caminho para que possamos realizar os nossos sonhos mas, por vezes, não as vimos ou não queremos ver por não acreditar que sejam as mais adequadas para o conseguir... mas... e há sempre um mas, uma dúvida que nos paira sempre no pensamento... e se realmente aquela ferramenta for a correcta? e se esteve diante de nós todo este tempo e durante o mesmo dissemos para nós próprios que não?

e quantos sonhos temos durante toda a vida que não passam de algo que, com o passar do tempo, não era algo importante para nós e que acabam por cair no esquecimento?
temos "milhentos" sonhos durante a nossa vida mas apenas alguns têm o direito de serem considerados como tal e serem desejados, vividos, sentidos, amados, realizados...

pessoalmente, e não sendo igual ou diferente de quem quer que seja, tenho alguns sonhos... alguns interligados mas nenhum depende de qualquer outro para serem realizados... podem sim complementar-se...

como já dizia o poeta António Gedeão, "o sonho comanda a vida"...
por isso, sê o comandante dos teus sonhos... realiza os teus sonhos... vive os teus sonhos!!

terça-feira, 15 de maio de 2018

saudades de ti...

Vieira de Leiria, 15 de maio de 2018 - 01h41

 

acabo de ler mais um capítulo do livro e olho para o relógio... já é tarde... os livros deste autor absorvem-me de tal forma a querer ler sempre mais um capítulo mas este que acabo de ler é o último desta noite... procuro o marcador e coloco-o na página seguinte não sem antes ver quantas páginas foram lidas na última hora... sorrio enquanto ponho o livro em cima da mesa de apoio...
de um pulo levanto-me do sofá, seguro na caneca vazia de onde estivera a beber chá e desligo o pequeno candeeiro que iluminava a sala, o suficiente para conseguir ler...
passo pela cozinha onde lavo a caneca e a ponho junto à loiça do jantar que se encontra a secar antes de ir à casa de banho onde lavo os dentes...
saído desta chego ao quarto e detenho-me por breves instantes encostado à ombreira da porta olhando para o interior do mesmo... um leve sorriso surge-me nos lábios para depois desaparecer... mas não todo...
entro...
descalço os chinelos pondo-os junto à cama e tiro a camisola pondo-a na cadeira... lentamente deito-me na cama sobre o meu lado esquerdo e aconchego a roupa...
"amo-te" sussurro depois de fechar os olhos...
adormeço...
acordo...
abro os olhos e procuro o relógio no escuro do quarto e vejo que passaram poucos minutos desde que me deitei...
junto a mim está algo que não estava antes de me deitar... o teu corpo aninhado em mim como se fossemos um só é algo indescritível... o cheiro do teu cabelo junto ao meu nariz entranha-se nas minhas narinas... afasto-o pondo a descoberto o pescoço no qual roço os meus lábios suavemente... uma e outra vez sentido o eriçar da pele sempre que o faço até que o beijo lentamente... suspiras e colocas a mão direita no meu pescoço para que não me afaste...
a minha mão direita procura o teu corpo e sinto-o desnudo quando toco na tua coxa e a deslizo até ao peito... volto a deslizar a mão, desta vez para baixo, e detenho-a no ventre, repousando-a lá...
"amas-me mesmo?" sussurras-me...
"desde o primeiro dia que to disse" respondo parando de te beijar...
"sabes que..." dizes enquanto colocas a tua mão na minha sobre o ventre...
"sei... e vou estar sempre ao teu lado..." interrompo-te e tiro a minha mão debaixo da tua e ponho-a por cima dela entrelaçando os dedos...
"prometes?" perguntas sabendo o que a palavra significa para mim...
"prometo" respondo beijando-te o ombro em seguida...
sorris...
"vamos dormir?" pergunto soltando os dedos da mão dos teus e pondo-a sobre o teu ventre...
"sim, vamos" sussurras encostando-te ainda mais a mim...
adormeço...
acordo lentamente com uma música e, aos poucos apercebo-me que é o despertador do telemóvel... desligo-o e olho para a cama... está vazia junto a mim... mas em mim está o teu cheiro, o teu toque... algo que nunca saiu... algo que está entranhado... enraizado...
sorrio... o mesmo sorriso que faço quando penso em ti...
saudades de ti...

sexta-feira, 20 de abril de 2018

o meu amor por ti...

Vieira de Leiria, 20 de abril de 2018 - 18h53

 

20 de abril de 2018 - 18h12 @ 39º52'30'' N 8º58'19'' W

mais uma vez cheguei e trago-te comigo em mim... como o faço sempre...
olho em redor para ver como está o mar hoje, não vá ter que ser chamado à atenção, por algum morador, de alguma onda mais traiçoeira e ter que correr à frente dela com uma vontade enorme de me beijar os sapatos como aconteceu há três dias atrás...
lentamente desço as escadas até ao areal e avanço por ele...
ao longe, um bando de gaivotas prepara-se para pernoitar na areia molhada... estão calmas e sossegadas mas sempre alertas para qualquer movimento estranho por perto...
páro...
olho para a minha mão direita e releio uma vez mais as palavras que vejo escritas...

"meu amor...
hoje é o dia do meu aniversário e volto a escrever-te... não sei quantas vezes já o fiz durante todos estes anos que já vivi... palavras sentidas entranhadas na minha essência que me fazem persistir na tua procura, na espera por ti... palavras escritas, lidas, relidas e voltadas a ler e que fazem sempre sentido quando os meus olhos passam por elas em páginas gastas e amarelecidas pela erosão do tempo...
há pessoas que passam anos sem que se mostrem como são na realidade vivendo por detrás de uma máscara criada para se protegerem mas que, de um momento para o outro, com um simples clic, se abre estranhamente e se dão a conhecer como nunca o haviam feito antes... que se revelam, que se mostram, que se entregam... e que, por vezes, tendem a fechar-se lentamente sobre si próprias novamente simplesmente porque não foram totalmente compreendidas, aceites, desejadas, amadas...
a tristeza é disfarçada, camuflada, escondida por detrás de um sorriso, de um riso, de uma gargalhada, de uma piada, simplesmente porque é mais fácil do que explicar o porquê de sentir assim pois apenas uma pequena parte de quem ouve e escuta percebe o que se passa mas só uma ínfima parte o entende...
com isto, a solidão emocional não se mostra, não se revela com a intensidade necessária para ser notada quando se está rodeado de amigos, colegas, conhecidos... por vezes, um simples desconhecido consegue olhar nos olhos e, naquela fracção de segundo e apesar de não se conhecerem, saber pelo que se está a passar, a enfrentar, a (sobre)viver... a definhar...
e eu, meu amor, embora ainda seja em parte, fui uma dessas pessoas até um dia ter havido aquele simples clic...
és das raríssimas pessoas que, apenas pelo timbre da minha voz, sabes como me estou a sentir... e isso é algo assustadoramente maravilhoso de se sentir e ouvir vindo de ti...
sabes... até podemos ser muito diferentes mas conseguimos ver-nos muito melhor que duas pessoas que são iguais... e isso não é mau de todo... como se costuma dizer, "os opostos atraem-se"...
diante deste mar imenso que simboliza o amor que sinto por ti, fotografo o pôr-do-sol e dou-o a conhecer ao mundo como a distância até onde vai este sentimento que tenho por ti... e sonho... sonho com o dares-me a conhecer o nascer de um novo dia... abraçados e embrulhados num cobertor a fazer desse momento uma rotina e um momento nosso... lado a lado... conversando, dialogando, esclarecendo dúvidas, pensamentos, situações, incertezas, sentimentos... simplesmente amando pois é do melhor que se pode ter e sentir nesta vida... e é isso que te quero fazer sentir... quem sabe amada como nunca o foste, amparada como nunca o estiveste, compreendida como nunca o sentiste, respeitada como sempre o mereceste, optimista como nunca pensaste ser...
e acompanhar-te... sei que não seria fácil e que nos primeiros tempos ficaria um pouco para trás, ofegante e com a língua pendurada de um dos lados da boca... mas não desistiria pois ao ver-te sorrir faria com que a adrenalina disparasse e nos mantivesse lado a lado tal como deve ser vivida a vida...
mas tudo isto é um sonho... o meu sonho... um sonho sentido no peito ora calmamente ora intensamente forte a querer sair dele...
amo-te... amo-te hoje, amanhã e sempre..."

termino de ler as últimas palavras a custo pois os olhos estão desfocados por estarem rasos de  lágrimas...
como não se deve atirar garrafas (nem qualquer outra coisa que não seja bastante degradável) para o mar, todas estas palavras foram escritas numa rosa vermelha que trouxe comigo que, tal como uma vida em casal, tem as suas pétalas, as suas folhas, os seus espinhos... espinhos esses que cabe a ambos conhecê-los, compreendê-los, conviver com eles sabendo da sua existência dando apenas a devida importância para não picarem, não ferirem, não rasgarem...
com o sol a duas horas de desaparecer no horizonte e envolto em nevoeiro, avanço um pouco mais em direcção das ondas do mar e, sabendo que a próxima onda chega onde estou, deixo a rosa estendida sob o molhado da areia à espera que seja levada... afasto-me o suficiente e vejo a onda aproximar, envolver a rosa e levá-la consigo, deixando-me na esperança de um dia te ser entregue juntamente com todo o sentimento que nela depositei... o meu amor por ti...


quinta-feira, 22 de março de 2018

o teu abraço...

Vieira de Leiria, 22 de março de 2018 - 01h10

 

- fecha os olhos... vou levar-te comigo...
- onde? - perguntas virando o rosto na minha direcção.
- é surpresa... confias em mim?
- sim, claro que confio.
- durante uns minutos vais usar esta venda.
- hmm... uma venda a estas horas? - dizes enquanto sorris e piscas o olho esquerdo.
- e há hora certa para a usar? - digo antes de te mostrar a ponta da língua.
encosto o carro na berma da estrada não sem antes de ligar o pisca. ponho-te a venda tendo o cuidado de não apertar de mais. depois de dizeres que não consegues ver e que estás bem, aproximo-me um pouco mais de ti deixando os nossos lábios a escassos milímetros sentindo o calor das nossas respirações.
roçamos os lábios uma e outra vez e beijo-te, beijas-me, beijamo-nos lenta e suavemente.
- amo-te! - digo ao afastar-me e sentar-me direito em frente do volante.
- apenas um pouco - dizes sorrindo.
de um lado e do outro da estrada a paisagem já conheceu muitos melhores dias mas, infelizmente, nos últimos meses tem vindo a sofrer cada vez mais mudanças e, quanto mais o tempo avançar, mais vai ficar irreconhecível. por um lado, ao colocar a venda foi uma maneira de não veres como está a ficar. por outro lado, simplesmente porque gosto de fazer surpresas.
- chegámos.
- já? foi rápido.
- sim, poucos quilómetros e poucas curvas.
- ainda bem pois ao não ver nada podia começar a enjoar.
- mas estás bem, certo?
- sim, estou.
- vou tirar-te a venda mas manténs os olhos fechados, combinado?
- combinado.
retiro a venda e, durante uns segundos, fico a olhar para os teus lábios. para o teu nariz. simplesmente, para o teu rosto.
- quando é que posso abrir os olhos? - dizes ao aperceberes do silêncio demorado.
- já podes abrir...
- não me vou assustar?
- abre os olhos e desfruta...
lentamente abres os olhos.
- wow... é... lindo!! - dizes enquanto que os teus olhos são invadidos pela claridade do sol.
- anda, vem ver mais de perto...

- está muito vento e despenteia-me.
- ficas linda na mesma.

- aos teus olhos.
- não, ao meu coração.

sorris.
- aqui está o teu casaco. fecha-o todo.
- ok. - dizes ao vesti-lo para depois saíres do carro.
saio também e tranco o carro, vestindo o casaco e fechando-o bem.
olho na tua direcção e sorrio ao ver o teu cabelo a dançar descompassadamente ao sabor do vento.
sorris-me quando chegas ao pé de mim.
- vamos até lá abaixo - digo apontando para o lugar.
- mas lá não está mais vento e frio?
- não no sítio onde vamos estar.
- a sério?
- sim. anda lá, está quase na hora.
rapidamente como que empurrados pelo vento, chegamos às escadas que descemos com cuidado até chegarmos à areia.
- aqui não temos vento. pelo menos não tanto, apenas um pouco.
- tens razão, aqui está mais abrigado. é aqui que vens?
- sim - digo enquanto te rodo de costas para mim e te envolvo com o meu abraço - agora, vê...
ao longe, no horizonte, o sol começa a beijar o mar lenta e suavemente sentindo cada toque até que desaparece.
voltas-te para mim e, olhando-me nos olhos, dizes:
- obrigada por esta surpresa. gostei muito, não só desta mas de todas as que me fazes.
- não tens de agradecer. não precisas de o fazer pois nota-se no teu rosto.
- o teu amor por mim é algo...
- não sei de quem é a autoria mas "o que sinto por ti é mais do que alguma vez saberás".
sorris.
- lembraste-te de há muito tempo te falar de yin-yang? - pergunto enquanto nos abraçamos.
- sim, tenho uma vaga ideia. porquê?
- porque é isso que nos caracteriza. uma das definições é que "nada existe no estado puro: nem na actividade absoluta, nem na passividade absoluta, mas sim numa transformação contínua" e é isso que faz com que resulte... fazemos com que o melhor de cada um de nós prevaleça acima de tudo...
- às vezes não é fácil.
- nada é fácil nestas férias a que se chama de vida... mas havendo motivação, respeito, compreensão, diálogo, tolerância, simplesmente amor, torna-se mais fácil...
- sim, verdade.
- sabes que não dou muita relevância a como as pessoas são exteriormente pois o que realmente vejo é o que as pessoas são por dentro, a sua essência... e a tua, meu amor, é única!! por mais anos que passem por ti e que deixem as suas marcas, ver-te-ei sempre como no primeiro dia em que realmente te vi.
abraças-me com mais força.
- no entanto, há algo que muitas vezes não me deixa adormecer à noite.
- queres falar sobre isso?
- um dia falaremos. sabes do que sinto mais falta em ti?
- o quê?
- de um abraço daqueles que nos faz esquecer de todos e tudo o que nos rodeia. que me tranquiliza com uma paz avassaladora. que me faz sentir protegido e proteger. que me faz perder a noção do tempo e do espaço. sinto mesmo falta dele.
- destes? - dizes antes de me dares o teu abraço...


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

meu amor...

Vieira de Leiria, 14 de fevereiro de 2018 - 00h20

 


"amor não se conjuga no passado. ou se ama para sempre ou nunca se amou verdadeiramente" - fernando pessoa

meu amor.. hoje não vou acordar e ficar a ver-te dormir até ao momento que despertas, que prendes o teu olhar no meu e que, lentamente, sorris e dizes para que não olhe para ti pois estás despenteada e feia... e não te vou responder que é no teu acordar que me prendo e me faz amar-te pela manhã, antes de me beijares fugazmente e desapareceres na casa de banho...
meu amor... hoje não vou ouvir-te chamar-me para te dar a toalha de banho mesmo sabendo que a tens mesmo ao pé de ti mas porque me queres perto enquanto me contas como vai ser o teu dia... e não te vou ver a terminares o banho e passares a toalha pelo corpo suavemente enquanto te ouço e sorrio pois adoro ouvir-te falar...
meu amor... hoje não vou partilhar contigo a mesa ao pequeno almoço fazendo-te rir por entre dentadas no pão apenas por te dizer o quanto gosto de ti, te adoro, te amo... e não vou dizer tudo o que sinto por ti pois por mais que viva não o conseguirei dizer pois haverá sempre algo que ficará por dizer...
meu amor... hoje não vou sair de casa ao teu lado nem te desejar um bom dia de trabalho antes de nos beijar-mos... e não vou beijar a tua testa sentindo o teu cheiro que me acompanhará o dia todo e fará com que ele me corra bem...
meu amor... hoje não vou enviar mensagens escritas por telemóvel a dizer que és linda, que te amo... e não vou ficar a aguardar resposta assim que as vejas pois estarás a fazer o que mais gostas de fazer...
meu amor... hoje não vou à florista pedir para te fazerem chegar uma rosa vermelha com um cartão, no qual verás escrito " amo-te, ____"... e não vou ficar desconcertado perante a florista ao pedir a entrega dessa mesma rosa vermelha...
meu amor... hoje não vou chegar mais cedo a casa e preparar o teu prato preferido para o jantar não sem antes de passar pelo supermercado para comprar o ingrediente principal... e não vou ficar a olhar para o relógio de dois em dois minutos até à hora de chegares...
meu amor... hoje não vou ouvir-te abrir a porta e ver-te entrar em casa com a rosa vermelha, que te entregaram durante a tarde, numa mão e a mala de trabalho na outra... e não te vou ver a pousar a mala e a procurar um solitário para pôr água e a rosa vermelha antes te ver sorrir enquanto me mostras a rosa vermelha e nos beijarmos...
meu amor... hoje não vou terminar de fazer o jantar enquanto preparas o teu dia de trabalho de amanhã... e não vou tomar um banho rápido no fim de deixar a mesa pronta com duas velas vermelhas em dois castiçais junto aos pratos e ao solitário com a rosa vermelha...
meu amor... hoje não vou ver a tua cara de espanto e o teu sorriso no final da garfada do jantar que te dou na boca antes de disseres que está delicioso e que te estrago com mimos... e não vou sorrir antes de me beijares e agradeceres por o ter feito...
meu amor... hoje não vou passar algum tempo do serão sentado no sofá a ouvir-te contar o teu dia e a contar-te o meu enquanto entrelaçamos os dedos das nossas mãos... e não vou abraçar-te quando me abraçares e ficarmos em silêncio por um momento de tempo indefinido...
meu amor... hoje não vou adormecer junto a ti sem antes te dizer que te amo e agradecer o quanto és para mim e em mim... e não vou beijar a tua testa depois de aconchegar a roupa da cama para que não tenhamos frio nesta noite gelada...
meu amor... hoje não vou chamar-te assim mas a vontade de o chamar está sempre comigo... e não vou deixar de sonhar contigo, meu amor...

não é apenas um dia no ano que é especial e que deve ser festejado ou comemorado ou vivido de forma diferente... todos os dias devem ser vividos, sentidos, partilhados... ama e sê amad@ intensamente...

"dizê-lo assim baixinho, embalando com carinho, o teu nome, meu amor..."

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

18 anos

Vieira de Leiria, 29 de janeiro de 2018 - 01h09

 


e, como num estalar de dedos, passaram 18 anos quando, numa noite fria e chuvosa de inverno ao terminar de escrever um pequeno livro sobre a minha história até esse momento, "oficialmente" nascia...
após uma pausa de 4 anos e alguns meses, com algumas frases soltas escritas pelo meio em simples papéis que tinha à mão, decidi criar um blog e ir publicando, até ao dia de hoje sem periodicidade, o que viria a ser chamado de sonho do francisco...
durante alguns anos apenas um grupo muito restrito sabia da existência deste sonho até que, um dia em janeiro de 2016, resolvi começar a dá-lo a conhecer aos poucos pelo facebook com algum receio de o fazer pois, apesar de por vezes ser picuinhas com a escrita e reparar nos erros, não sou nem serei um expert na língua portuguesa...
e assim começou a aventura... aventura que cativou e cativa, aproximou e aproxima algumas pessoas... pessoas que a vida me dizia que nunca diriam nada na minha vida e que afinal me enganou a esse respeito... pessoas que ficaram em mim... pessoas que reforçaram a sua presença em mim...
desde pequenos textos a alguns mais extensos, desde o uso de reticências (imagem de marca que há largos anos me acompanha) a pontuação final, desde caminhos percorridos a recordação de momentos, desde descrição de sentimentos a diálogos, a escrita tem sofrido alterações ao longo dos meses, dos anos...
mas, será realidade o que escrevo? ou será, como o nome do blog, apenas um sonho? são perguntas que ficarão suspensas no ar... na dúvida de quem me lê...
um dia, uma pessoa que conheço desde que éramos crianças, perguntou-me porque não fazia os audios dos textos que escrevo e não dei muita importância à pergunta (as minhas desculpas quando leres isto) pois, quando me ouço falar, a voz não é grande coisa... mas há 2 semanas atrás, ao ouvir a gravação de algo que havia dito momentos antes, esta pergunta voltou-me à memória... e porque não? quem sabe um dia...
ainda há menos tempo perguntaram-me quem era a pessoa que entrava no sonho... tratando-se de um sonho, o correcto seria dizer que a pessoa não existe... mas seria mentira... felizmente sempre existiram, existem e existirão as pessoas que fazem parte dos textos desde o início desta aventura mas nunca fazendo referência aos nomes dos mesmos ou, no caso do livro, usando nomes fictícios para salvaguarda dos mesmos...

e é assim, um pouco de mim...
deixo o meu agradecimento a todos quantos me lêem, relêem e voltam a ler... que, pessoalmente ou por escrita, me dizem que gostam de me ler... que me acompanham, que me incentivam, que me inspiram...
e aproveito para, neste dia especial, deixar um beijo a duas pessoas também especiais (a uma das quais acrescento um "vai correr bem!!")

e, mesmo sem motivo, sorriam... sempre!!

sábado, 20 de janeiro de 2018

e se eu partisse amanhã?

Vieira de Leiria, 20 de janeiro de 2018 - 02h45

 

e se eu partisse amanhã?

e se eu partisse amanhã sem que nada o fizesse prever, sem que tivesses oportunidade de me dizeres algo que querias dizer há algum tempo e que foste adiando sem pensar que um dia não o poderias fazer mais?

e se eu partisse amanhã deixando um vazio enorme dentro de ti, sem saberes que rumo ter, sem saber para onde fugiu o chão que pisas?

e se eu partisse amanhã ficando o mundo sem um elemento de uma família restrita e unida, sem um colega de infância, de escola, de trabalho, sem um amigo que, apesar de por vezes parecer ausente, estava presente, sem aquela pessoa que amou como, quem sabe, nunca ninguém amou como deveria ser?

e se eu partisse amanhã tendo apenas sonhado o sonho sem o ter vivido, sentido, tocado como se fosse das poucas coisas que me tivesse feito chegar onde cheguei e que não passou disso mesmo, de um sonho?

e se eu partisse amanhã sem ter sido realmente amado, desejado, acarinhado, sentido, compreendido porque simplesmente quase ninguém me levara a sério quando falara sobre o que sentia?

e se eu partisse amanhã com um sorriso nos lábios sabendo que havias sido tu a última imagem que os meus olhos haviam visto ou simplesmente porque, uma vez mais, o pensamento te havia posto diante de mim pela infinita vez?

e se eu partisse amanhã sussurrando o teu nome enquanto uma lágrima fugisse de um dos meus olhos?

e se eu partisse amanhã pensando que era dono do tempo, que haveria sempre tempo, que o tempo não tem fim?

e se eu partisse amanhã levando no meu coração todos os que realmente me desejam bem, que se preocupam comigo, que gostam de mim, que me amam em segredo?

e se eu partisse amanhã e deixasse escrito uma parte de uma conversa que tive há dias em que me revi sobre o que queria que fosse feito, será que seria?

e se eu partisse amanhã seria arrependido de não ter dito tudo o que gostaria de ter dito, gestos que me comedi a ter, atitudes que não deveria ter tido?

e se eu partisse amanhã seria em paz pelos exemplos que dei, pelos conselhos e orientações que dei, pelo apoio que dei, pelo que me importei sem nada pedir em troca?

e se eu partisse amanhã tendo já partido aos poucos e poucos ao longo dos últimos tempos?

e se eu partisse amanhã?

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

nunca deixes de sonhar

Vieira de Leiria, 10 de janeiro de 2018 - 02h12

 

"- vou dormir mas antes vou beber um chá" dizes num pequeno instante antes de afastares o teu corpo do meu e te levantares do sofá. observo-te como se o fizesses em câmara lenta mas que, de repente, acelera apenas dando conta quando te sentas no meu colo de frente para mim.
coloco o livro que estava a ler no sofá, deixando o marcador na página em que havia sido subitamente interrompido. por sinal, bem interrompido pois a história está meio embrulhada e é preferível o momento que se aproxima ao que se estava a ler.
colocas as mãos no meu rosto, uma de cada lado, de modo a ficar quase com o mesmo imobilizado enquanto me perguntas se gosto de ti. quando tento dizer que sim, usas as tuas mãos para me rodar a cabeça de um lado para o outro dizendo que não. sorris. sorrio. perguntas se gosto muito de ti e o resultado é o mesmo quando me rodas a cabeça fazendo-te soltar uma pequena gargalhada à qual te acompanho. perguntas se te amo. nesse instante, coloco as minhas mãos sobre as tuas e impeço-as de se mexerem. durante breves segundos prendemos o olhar um no outro e, sincronizadamente, fazemos a cabeça movimentar-se suavemente algumas vezes de cima para baixo.
sorrimos para depois te abraçar. como por ciúmes, os teus braços envolvem-me deixando-nos tão juntos como se fossemos um só. fundidos, emaranhados no sentimento que nos une, que nos liga muito mais do que fisicamente.
sinto o bater do teu coração no meu peito, compassadamente com o meu. o quente da tua respiração no meu pescoço. as tuas mãos nas minhas costas. beijo-te o pescoço ternamente sentindo a pele arrepiar-se e afastando-te de mim ficas a olhar-me nos olhos por um instante preso no tempo mesmo antes de te voltares a aproximar. roças ao de leve os teus lábios nos meus e afastas-te alguns milímetros sentindo a tua respiração misturar-se na minha.
ainda com os braços à tua volta, puxo-te para mim e beijo-te uma e outra vez. o avanço e recuo é agora mútuo num constante movimento lento e suavemente misturando sabores num só.
durante o que parece ser um segundo, deixamos a nossa essência tocar-se, conhecer-se, unir-se, fundir-se.

já com o teu rosto no meu peito beijo-te o cabelo sentindo o teu cheiro.
"- já bebi o meu chá, agora vou dormir" dizes sussurrando antes de sorrires.
"- mas não saíste daqui" pergunto fingindo-me surpreso.
"- pois não. és tu o meu chá, aquele que me tranquiliza, que me acalma depois de um dia movimentado. o chá que me adoça a vida, que faz com que tenha sentido e sabor" dizes depois de olhares séria nos meus olhos. roubas-me um beijo e levantaste rapidamente não me deixando segurar-te. voltas-te para trás dizendo boa noite e piscas o olho antes de saíres da sala em direcção ao quarto.
sorrio e fico a pensar no que acabas de dizer.
levanto-me e vou à gaveta onde tens folhas brancas e tiro uma juntamente com uma caneta e uma paleta. ao fechar a gaveta, esta prende antes de bater ao fechar fazendo algum ruído. sento-me no tapete encostando as costas ao sofá.
"- que barulho foi aquele?" perguntas ao espreitares à porta.
"- desculpa. foi ao fechar a gaveta onde tens as folhas" respondo piscando o olho.
"- vais escrever?"
"- sim e tu vais dormir."
"- hmm... fiquei curiosa sobre o que vais escrever" dizes sorrindo.
"- vais ter que ficar até amanhã de manhã" digo pondo a ponta da língua de fora.
"- ooh... ok, está bem. boa escrita!" dizes retribuindo o gesto da ponta da língua de fora antes de ires para o quarto.
sorrio e preparo-me para te escrever.

"carta de amor nº ___

meu amor...
como se costuma dizer, a vida encarrega-se de pôr e manter na nossa vida as pessoas que nos fazem bem e hoje, tal como todos os outros dias desde que entrámos na vida de um e do outro, me sinto eternamente agradecido por tal ter acontecido.
muitas vezes julgamos as pessoas pelo que elas parecem e não pelo que realmente são. algumas vezes ficamos surpreendidos por passarem anos até que, num lampejo, as conheçamos realmente e fiquemos surpreendidos. e connosco não foi diferente.
a verdadeira beleza, a verdadeira perfeição da pessoa está dentro de si, na sua essência e não no seu aspecto físico. se podias ser diferente fisicamente? não, não podias pois és como és e é isso que te faz ser aos meus olhos, ao meu coração.
já eu, não tenho um corpo de modelo e, o não esforçar por o ter, não é isso que me faz ser quem sou. quem e como sou quase ninguém sabe realmente e tu sabe-lo quase desde o primeiro dia.
meu amor... obrigado por tudo!!
junto a esta carta, como sempre, deixo-te uma flor. junta-a a todas as outras.
e nunca te esqueças de sorrir... sempre!!"

sorrio enquanto me levanto e guardo a caneta e a paleta na gaveta fechando-a com cuidado para não voltar a fazer barulho.
ponho a carta no sítio do costume e junto-me a ti.
"- escreveste?" dizes ao sentires ser abraçada.
"- sim. apenas não sei se vais gostar."
"- sabes que gosto sempre" dizes antes de sorrires e dando-me uma pequena cotovelada.
"- vamos dormir?" pergunto beijando-te a testa.
"- sim, quero entrar no teu sonho"

nunca deixes de sonhar!!
já dizia o poeta António Gedeão, "o sonho comanda a vida".
por vezes o sonho sofre mutações com o passar dos dias, dos meses, dos anos, mas nunca deve deixar de ser sonhado pois é ele que nos mantém lúcidos a querer dar um sentido a esta viagem que se chama vida.
por vezes ama-se alguém que parece incompatível no ritmo com que se vive a vida mas, quem sabe, se se complementam ao ponto de haver um equilíbrio, o dito yin-yang, entre ambos e com isso ser-se o que realmente importa, ser-se feliz!!
nunca deixes de sonhar!!