terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

amo-te


Vieira de Leiria, 14 de Fevereiro de 2017 - 08h00


14 de Fevereiro de um qualquer ano... dia de são valentim, o padroeiro dos namorados...


de barba aparada e modestamente vestido saio de casa para a rua. está frio e a noite já há mais de uma hora que se faz notar. felizmente não chove e o céu está repleto de estrelas em volta de uma lua cheia na sua plenitude. está brilhante mas não tanto como em janeiro, o mês de melhor e mais bonito luar de todo o ano, o que concordo apenas em parte pois qualquer luar é bonito quando se está ao lado da pessoa que se ama.
sorrio e fecho a porta, encaminhando-me para o carro que, antes de chegar ao pé dele, destranco com o comando. abro a porta e fecho-a logo a seguir a ter entrado. olho para o lugar do pendura e vejo uma rosa vermelha. sorrio novamente e ponho o carro a trabalhar, não sem antes prender o cinto de segurança.
a distância faz-se em poucos minutos e o pensamento está distante.
chego e paro o carro, seguro a rosa e saio do mesmo trancando-o de seguida. dirijo-me ao ponto de encontro e espero-te.
olho para o relógio e passam já 10 minutos da hora marcada. 20 minutos.
sento-me num banco, ponho os cotovelos nas coxas e a cabeça por entre as mãos. 40 minutos. baixo a cabeça.
60 minutos. telefono-te mas a chamada vai parar ao voicemail. volto a telefonar mas com o mesmo resultado. a angustia começa a invadir-me. a tristeza acompanha-a.
90 minutos. 8 telefonemas. 8 chamadas que foram parar ao voicemail.
levanto-me e interpelo um jovem casal dando a rosa ao rapaz para a oferecer à rapariga que o acompanha. sorriem, agradecem e desejam-me boa sorte. retribuo o sorriso e desejo-lhes que sejam, acima de tudo, amigos e confidentes e que o respeito seja algo que os acompanhe sempre.
afasto-me e caminho em silêncio. devagar percorro o caminho até ao carro mas não paro. sigo até ao fim da rua mas paro antes de lá chegar. a dor que me dilacera o coração faz com que caia de joelhos, batendo-os no alcatrão e ficando sentado sobre as pernas. deixo-me ficar assim. imóvel. sem sorrir nem chorar. sem falar nem gritar. simplesmente assim. imóvel. absorto. sem reparar quem por mim passa ou para perguntar se está tudo bem. sem reparar se ainda é noite ou se já amanheceu. fico assim sem noção do tempo passar por mim.
lentamente volto a mim. baixo a cabeça e uma lágrima desprende-se perdendo-se no alcatrão. atrás dela outras seguem o mesmo caminho durante algum tempo. segundos? minutos? não sei. apenas sei que da maneira que surgiram deixaram de surgir. com as palmas das mãos seco o rosto. inspiro. expiro. levanto-me. encaminho-me para o carro. volto para casa. sento-me no sofá e deixo-me adormecer no sonho que estou a sonhar.

hoje é novamente dia de são valentim. o sonho mantém-se vivo. mas, por quanto tempo mais? até quando? por mim, para sempre. não como sonho sonhado mas como sonho vivido. a dois. com a amizade, respeito, confidência e amor como seus principais pilares. com tantos outros, não menos importantes, a acompanhá-los.
se amas alguém, diz-lhe. sem vergonha. assume o que sentes e não adies algo que poderá ser a tua felicidade. arrisca. se resultar, sustém esse amor com base nesses pilares e outros que sejam importantes. se não resultar, mantém a amizade pois, sendo verdadeira, é raro encontrar outra igual.

permite-te seguir em frente e ama. permite ser amada/o. as dúvidas existirão muitas vezes. as dúvidas serão esclarecidas com o tempo, com a partilha, com o conhecimento mútuo, com o desenvolvimento do sentimento.

ama. vive. sorri. sempre.

amo-te