quinta-feira, 12 de outubro de 2017

a vida é curta

Vieira de Leiria, 12 de outubro de 2017 - 00h15

 

chegas perto de mim e seguras uma folha que tenho na secretária e começas a ler...
"Todos os dias procuro no teu olhar / o que procuras no teu mar / a beleza do meu sorriso / a liberdade em te amar / o desejo em expressar nosso sentimento" © Almerinda Alves
"Estava a navegar no facebook e este post prendeu-me o olhar. Voltei a ter aquele sentimento de sempre: não sou nada boa nestes passatempos. Mas como no ano passado, apesar de não ter ganho, o maninho foi um amor e me deu na mesma um livro, resolvi tentar a minha sorte novamente. Só não vai haver sorriso porque as maçãs pretas andam a dar cabo de mim!" © Teresa Rodrigues
- são estas as frases que participaram no sorteio do livro No Teu Olhar do Nicholas Sparks?
- sim, são. alinharam novamente na brincadeira.
- novamente?
- sim, elas também participaram o ano passado.
- e quem ganhou este ano?
- as duas.
sorrimos.
- mereceram.
- claro que sim.
pouso a caneta e recosto-me, ficando em silêncio.
- em que estás a pensar?
- que as pessoas são como livros.
- hmm?? como livros??
- sim. alguns que basta ler a sinopse para se ficar a gostar do livro por completo. outros que, no final do primeiro capítulo já não tem interesse algum. outros que, ao chegar ao terceiro capítulo, desiste-se de ler quando a história começa a ficar empolgante no capítulo seguinte. outros que, no final de serem lidos se fica com um estranho sentimento que faz parte de quem os leu. mas o pior, é quando se tem uma história, uma vida em comum com um livro, o qual nunca foi realmente aberto para ser lido e nada do que ele contém tem a ver com a pessoa.
- e alguém já te leu?
- quase ninguém. por norma apenas dou a conhecer breves trechos dos meus capítulos já escritos e algumas frases soltas dos capítulos que vou escrevendo durante a minha caminhada.
- e porque não te deixas ler mais do que apenas isso?
- a vida, as pessoas, as situações que fazem parte dos capítulos do meu livro assim o ditaram e dificilmente será diferente do que tem sido.
- gostavas que alguém te lesse?
- sabes... um dia uma pessoa começou a ler-me.
- e então, que aconteceu?
- ficou algures entre o primeiro e o terceiro capítulo.
- e o que significa isso?
- sinceramente também não sei.
- ficaste triste?
- sim, fiquei. mas, por norma, as pessoas sabem o que é melhor para si e há que respeitar as suas decisões.
- queres falar sobre isso?
- não, desculpa. é um capítulo do meu livro.
- não há problema.
levanto-me e abraço-te. retribuis o abraço repousando o queixo no meu ombro.
beijamo-nos e prendes-me as mãos entrelaçando os teus dedos nos meus.
olhas-me nos olhos e perguntas.
- posso pedir-te uma coisa?
- claro que sim.
- não tenhas muitos capítulos. que sejam poucos mas intensos de felicidade, amor e sorrisos.
- parece-me bem mas porque me pedes isso?
- a vida é curta...

terça-feira, 3 de outubro de 2017

as palavras que (nunca) te direi

Vieira de Leiria, 03 de Outubro de 2017 - 13h38


durante meses, 287 cartas foram escritas pela noite dentro... ora lenta ora rapidamente escritas com o sentimento que as envolvia, que as preenchia, que aquecia cada palavra sentida de noite e dia de uma forma incessante, que fazia pairar tudo algures na troposfera...
167 que chegaram ao seu destino... quase todas viram a primeira claridade da luz do dia em que foram entregues... lidas, relidas e voltadas a ler...
120 que foram escritas e nunca enviadas pois assim foi pedido para acontecer... a impotência de não conseguir parar de serem escritas de um dia para o outro assim o ditou... todas elas guardadas, protegidas da claridade do dia... não no fundo de um baú e atadas com ráfia ou guita mas em dois locais totalmente distintos... uma cópia num disco de computador onde é guardada toda uma história, uma existência... a outra, junto da original, no coração de onde saíram as vogais e consoantes, as vírgulas e reticências, a exclamação do sentimento...
hoje, depois de há muito abandonada a troposfera e de pés fincados novamente em terra, estas palavras foram escritas para serem um suspiro solto na brisa da vida que passa e não volta atrás...
brisa que leva as palavras que (nunca) te direi...