quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

por onde andas?

Vieira de Leiria, 05-12-2007 - 03h16

por onde andas?
todos os dias penso em ti... nos teus olhos brilhantes a fitarem os meus... na tua boca quente e doce a partilhar sensações indescritíveis nos nossos beijos... no teu cabelo sedoso que emana o cheiro do teu shampoo quando percorro o teu pescoço em buscar de paz... no teu respirar junto ao meu no calor dos nossos abraços...
por onde andas?
todos os dias penso em ti... nas nossas noites partilhadas com segredos confessados pelos momentos... sorrindo... amando... jurando...prometendo... cumprindo...
por onde andas?
todos os dias penso em ti... nos nossos passeios à beira-mar... de calças dobradas até ao joelho, deixando o mar partilhar as suas ondas com a areia e a nossas pernas... de vez em quando, uma onda maior faz-nos fugir dela para que não nos molhe mais do que queremos... depois continuamos a caminhar, novamente de mão dada...
por onde andas?
todos os dias penso em ti... e nos nossos momentos sentados na areia da praia abraçados a ver o pôr-do-sol... são sempre diferentes dia após dia...
por onde andas?
todos os dias penso em ti... no que poderás estar a fazer... no que poderás estar a pensar... será que estarás a pensar em mim... a pensar nos nossos momentos...
por onde andas?
todos os dias penso em ti... todos os dias dói... dói não estar contigo... dói toda esta distância... dói todos os momentos que ainda não partilhamos... dói não nos termos...
por onde andas?
todos os dias penso em ti... no momento em que as nossas vidas se vão cruzar e mudar para sempre... o momento que saberemos que o que escrevo é sobre ti... apenas sobre ti... e que me dirás por onde andas...

terça-feira, 23 de outubro de 2007

o nosso amor

Praia da Vieira, 11-09-2007 - 02h36

por entre a areia molhada e pelo mar, vou caminhando lentamente sem rumo... "que praia é esta?"... "onde estou?"... algo em mim me diz para continuar sem receio do que possa estar à minha espera...
ao longe vejo surgir alguém na minha direcção mas não consigo distinguir quem seja... o sol incide sobre os meus olhos ferindo-os...
sinto as ondas do mar embaterem nas minhas pernas quando, de repente, dou por mim diante de ti... paramos... "conheço-te"...
os teus lábios deixam resplandecer um leve sorriso... "conheço esse sorriso..."
com os teus cabelos ondulando ao sabor da brisa, aproximas-te de mim e abraças-me... "o teu corpo... de onde o recordo?..."
instintivamente, os meus braços procuram o teu corpo e fá-lo chegar mais ao meu... os teus olhos procuram os meus até se fixarem neles... "conheço este doce olhar..."
lentamente, os teus lábios procuram os meus até que... "sei quem és..."
os nossos lábios perdem-se entre eles... os nossos corpos ainda mais juntos pela dança dos braços que, no calor do momento, procuram algo que acabam por não encontrar... o coração, esse parece querer sair do lugar dele e crescer cada vez mais e mais...
este momento... lindo... mágico... interminável...
acordo e sorrio...
este é o sonho que tive a noite passada... que já sonhei mais vezes... mas desta vez foi diferente... senti algo inexplicável no momento do beijo... como se fosse real... como se o meu sonho se tivesse tornado real...
mesmo depois de acordar, senti esse momento em mim... e continuo a sentir... espero que seja um bom prenúncio...
o nosso amor...

domingo, 29 de julho de 2007

o anel

Vieira de Leiria, 29-07-2007 - 1h40

de mãos nos bolsos, percorro lentamente o passeio de uma das ruas mais movimentadas da cidade olhando para as decorações das montras que, a todo o custo, tentam chamar a atenção dos que, como eu, olham para elas...
usando cores atractivas ou simples néons, muitas delas estão apinhadas de roupas, sapatos, bijuterias ou simples coisas do dia a dia...
ao passar por uma ouriversaria o meu olhar prende-se num simples anel prateado, apenas com duas letras... decido entrar e perguntar o preço... por momentos o mundo parece parar...
assim que retomo o meu caminho, a vida agitada da cidade parece nunca ter parado de correr ao sabor do tempo... as pessoas parecem não ter tempo para parar, como se fugissem de algo o mais depressa possível... o final de tarde aproxima-se e com ele a escuridão...
tento avançar por entre os corpos que rumam no sentido oposto ao meu... uma vez por outra o contacto físico é difícil de não acontecer... "desculp...", desculpo-me enquanto reparo que a pessoa já desapareceu no meio da multidão...
páro e olho as horas... está quase...
levanto os olhos e tento ver o lado oposto da rua... mas não há sinal algum...
sinto uma pequena inquietação percorrer-me o corpo... uma tristeza apodera-se de mim... tento afastá-la olhando para o alaranjado do céu que se vê ao longe no final da rua...
de repente, algo me diz para olhar novamente para o lado oposto da rua e... os meus olhos encontram instintivamente os teus... sorris e isso faz-me esquecer a tristeza que se evapora pelos poros da minha pele...
aguardo um instante pela autorização do semáforo para atravessar a rua pela passadeira... as pessoas, continuam no seu caminho e não pretendem atravessar, mudar de rumo dos seus caminhos... apenas eu e tu o fazemos...
lentamente, avançamos em direcção um do outro... até que ao chegarmos a uma distância de escassos passos do contacto, ambos paramos...
flito os joelhos e faço chegar o direito deles ao chão... ao ver o desenrolar do momento, os condutores dos carros parados diante da passadeira, resolvem usar as buzinas e fazem-se ouvir através delas com sons entrecortados...
levo a mão direita ao bolso das calças e tiro uma pequena caixa... com a ajuda da outra mão abro a caixa e, novamente com a mão direita, retiro o simples anel prateado, apenas com duas letras... sorris quando olhas para ele e dizes suavemente "o anel que te apareceu no sonho"... sorrio...
olho para ti e digo "queres ..."... o teu dedo cola-se aos meus lábios não me deixando continuar... "sabes que sim", dizes enquanto uma lágrima se solta e desliza pelo teu rosto procurando fugir... mas em vão... já me levantara e o meu dedo a apanhara antes de se desprender de ti...
suavemente ponho o simples anel prateado, apenas com duas letras, no teu dedo... sorrimos... os meus olhos perdem-se e encontram-se nos teus, assim como os nossos lábios... suavemente se encontram... suavemente se perdem neste momento parado no tempo...
o que outrora eram apenas os sons entrecortados das buzinas, agora também se fazem ouvir as palmas e alegria das pessoas que, momentos antes pareciam fugir de algo, estavam agora paradas nos passeios a participar no nosso momento...
os nossos braços perdem-se em abraços mútuos... o que antes era um suave beijo é agora algo mais profundo mais... nosso...
lentamente abrimos os olhos e sorrimos... e sorrimos ainda mais ao ver o simples anel prateado, apenas com duas letras... a minha e a tua... unidos para sempre...


segunda-feira, 28 de maio de 2007

francisco

Praia da Vieira, 14-05-2007 - 0h16


Fora de horas, o carro vai percorrendo as desertas ruas frias e escuras, destoadas apenas por candeeiros que, aqui e ali, iluminam o que parece perdido no tempo...
Ruas, que surgem de ambos os lados, chamam por momentos a atenção que logo se desvanece por não pertencerem ao subconsciente...
Ao chegar a uma dessas ruas, o carro perde velocidade e ruma a ela com determinação sabendo que se trata da correcta...
Nessa rua, alguns metros mais à frente, o carro aproxima-se da berma e suavemente vai parando até não andar mais... de dentro dele sai alguém que, depois de fechar a porta, fecha também o carro e avança lentamente para a casa mais próxima...
Chegado ao alpendre carrega no botão da campainha e uma luz acende-se automaticamente... o que outrora era um vulto tem agora forma de um homem... homem que conheço.. sou eu...
Impossível - penso eu - como posso estar a ver-me ali se... o meu pensamento é interrompido pela porta que se abre lentamente e me vejo sorrir como nunca sorri na vida... até que vejo o porquê de me sorrir assim...
Suavemente sais para a rua e... o sangue gela-me nas veias... a voz fica presa na garganta impedindo-me de sussurrar o teu nome... nome esse que nunca esquecerei...
Com os corpos colados e braços envoltos na fusão, vejo os beijos que trocamos... como é possível... - penso - como é possível isto estar a acontecer?... até que... uma escuridão surge e deixo de nos ver... aparece uma claridade...
Olho em redor e reparo que é já de dia... sonhei novamente com o meu grande sonho... o sonho de te encontrar...