domingo, 17 de abril de 2016

palavras perdidas...

Vieira de Leiria, 17 de Abril de 2016 - 04h00

quase dois anos depois volto a escrever neste registo de um sonho que se desvanece dia após dia...
os dias sem o sonho escasseiam sendo substituídos por ausência de algo pelo qual se queira sorrir, lutar, amar... por dias mais sombrios, sem sabor, por norma rápidos e insignificantes...
de tempos em tempos penso em ti... onde estarás, como serás... se um dia aparecerás...
as velhas músicas que me inspiravam em tempos já quase que não causam efeito quando as ouço...
faço uma pausa nestas letras e vasculho uma que me inspirava em tempos...

aos poucos as lembranças vão surgindo...
as horas tardias que vagueava por escuras ruas, por jardins, por praias... as horas sentadas no carro a pensar em ti...
quantas vezes dava por mim junto a ti partilhando a respiração, envoltos num intrigante abraço que não se sabia onde cada um de nós começava e terminava...
o anel que te oferecia, a rosa vermelha que te levava... mas tudo era um sonho... sonho do qual acordava sempre com o peito cada vez mais desfeito sempre que me apercebia que não passava disso mesmo... de um sonho... de um hipotético sonho de alguém que apenas acredita que um dia irás aparecer e então... vive-lo... juntos...
no entanto, todos os dias olho em redor com a breve esperança de um dia te encontrar... mas não no sonho...

de calças dobradas pelos joelhos e descalço, caminho lentamente pela areia humedecida pela brisa salgada... por um breve momento fecho os olhos e vejo-te tão nitidamente diante de mim... o teu sorriso... será que dia o verei de olhos abertos? será que sentirei a tua respiração?

por isto é que o meu sonho parou há dois anos... quem sabe por quanto mais tempo assim estará?

aparece... inspira-me... faz-me escrever...
apenas não deixes que tudo o que escrevi antes tenham sido palavras perdidas...