sábado, 27 de agosto de 2016

ilumina-me...

Vieira de Leiria, 26 de Agosto de 2016 - 01h22

entro no carro, fecho a porta e insiro a chave na ignição rodando-a para a posição de ligar.
ponho o cinto de segurança e faço rodar a chave fazendo com o que o motor arranque...
no leitor de cd's percorro a lista até chegar a Embrace - Gravity... subo o volume... destravo o carro e ponho-o em marcha para percorrer o caminho que tenho pela frente...
a esta hora a viagem faz-se bem, quase sem trânsito em qualquer dos sentidos pois longe vão os tempos que havia movimento nesta altura do ano...
à medida que a música termina, volto a repeti-la até chegar ao lugar onde estaciono...
desligo o carro e saio dele... sinto frio... visto um blusão e tranco o carro...
de mãos nos bolsos e de passo lento, avanço pelo passeio em direcção a ti...
cheguei... está tudo às escuras... olho para cima e vejo o teu quarto com uma luz ténue...
a custo e usando as pontas dos sapatos e dos dedos das mãos consigo alcançar a varanda do quarto... olho em redor mas a rua está deserta, apenas uma luz intermitente se faz notar...
aproximo-me da janela e, ao tocar-lhe, reparo que esta não está trancada... abro-a devagar, entro e volto a fechá-la... desviando-me do cortinado entro no quarto...
estás tranquilamente a dormir... e, como sempre, com o lençol todo amarfanhado ao teu lado...
descalço-me e tiro a roupa quase toda, deitando-me depois ao teu lado, puxando o lençol para cima de nós...
apercebes-te que estou junto de ti e sorris-me sussurrando "vieste..." frase que interrompo pondo um dedo nos teus lábios... beijando-os de seguida, lentamente saboreando cada movimento... queremos parar mas não o fazemos... não podemos parar... parar é não aproveitar o momento na sua plenitude... o teu gosto mistura-se no meu... este momento preso no tempo deixa-nos ofegantes... mas mesmo assim continuamos por mais uns instantes... até nos abraçarmos e repousares a tua cabeça no meu peito e rires baixinho... com o teu riso peculiar...
com uma mão conserto-te o cabelo que cai para o rosto... ao senti-la, rodas a cabeça e olhas-me nos olhos... com uma mão de cada lado da mesma passo-te confiança dizendo "vai correr tudo bem... vamos ser felizes com o que somos e nada mais importa que nós próprios e o que sentimos"...
ficamos assim um bocado a olhar-mo-nos e acenas positivamente com a cabeça...
voltamos a abraçar-nos...
"quero ficar assim sempre todas as noites contigo... a proteger-te de tudo e todos... sabendo que estás bem durante o dia e apoiando-te no teu regresso a casa... querendo saber como foi o teu dia... sorrindo contigo, rindo contigo... apoiar e aconselhar nas tuas dúvidas... saber o que sentes e querer ajudar-te a viver com isso ou a superar... tantas e tantas coisas boas contigo...  é claro que vão surgir algumas menos boas... mas juntos enfrentaremos e venceremos... adoro-te cada vez mais... amo-te sempre e, acima de tudo, respeito-te..."
sorris e deixas o cansaço vencer-te, adormecendo...
ainda fico uns minutos a olhar-te e a pensar... a pensar nas palavras que me dizes sobre ti e sofro com este teu sofrimento... e com os outros todos...
será isto amar? provavelmente é pois a minha vontade é mesmo estar junto a ti sempre e proteger-te... não me deixes de lado enquanto sofres em silêncio... partilha comigo...
lentamente levanto-me da cama... visto e calço-me... chego ao pé de ti, beijo-te na testa e repouso por breves instantes um dedo sobre os teus lábios beijando-os de seguida... conserto o lençol por cima de ti...
tal como entrei no quarto, saio da mesma forma mas activando o fecho da janela...
desço da varanda mais facilmente que a subi antes...
agora, além do frio, uma chuva fina borrifa-me o corpo e em boa hora o faz pois disfarça as lágrimas que começaram a cair desde o momento em que te deixei no quarto...
entro no carro e faço o caminho de regresso... mas não antes sem olhar para a luz intermitente... ilumina-me...

1 comentário:

Unknown disse...

Fiquei admirada com a tua escrita, mexe com uma pessoa. Parabéns!