terça-feira, 3 de outubro de 2017

as palavras que (nunca) te direi

Vieira de Leiria, 03 de Outubro de 2017 - 13h38


durante meses, 287 cartas foram escritas pela noite dentro... ora lenta ora rapidamente escritas com o sentimento que as envolvia, que as preenchia, que aquecia cada palavra sentida de noite e dia de uma forma incessante, que fazia pairar tudo algures na troposfera...
167 que chegaram ao seu destino... quase todas viram a primeira claridade da luz do dia em que foram entregues... lidas, relidas e voltadas a ler...
120 que foram escritas e nunca enviadas pois assim foi pedido para acontecer... a impotência de não conseguir parar de serem escritas de um dia para o outro assim o ditou... todas elas guardadas, protegidas da claridade do dia... não no fundo de um baú e atadas com ráfia ou guita mas em dois locais totalmente distintos... uma cópia num disco de computador onde é guardada toda uma história, uma existência... a outra, junto da original, no coração de onde saíram as vogais e consoantes, as vírgulas e reticências, a exclamação do sentimento...
hoje, depois de há muito abandonada a troposfera e de pés fincados novamente em terra, estas palavras foram escritas para serem um suspiro solto na brisa da vida que passa e não volta atrás...
brisa que leva as palavras que (nunca) te direi...

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