sexta-feira, 20 de abril de 2018

o meu amor por ti...

Vieira de Leiria, 20 de abril de 2018 - 18h53

 

20 de abril de 2018 - 18h12 @ 39º52'30'' N 8º58'19'' W

mais uma vez cheguei e trago-te comigo em mim... como o faço sempre...
olho em redor para ver como está o mar hoje, não vá ter que ser chamado à atenção, por algum morador, de alguma onda mais traiçoeira e ter que correr à frente dela com uma vontade enorme de me beijar os sapatos como aconteceu há três dias atrás...
lentamente desço as escadas até ao areal e avanço por ele...
ao longe, um bando de gaivotas prepara-se para pernoitar na areia molhada... estão calmas e sossegadas mas sempre alertas para qualquer movimento estranho por perto...
páro...
olho para a minha mão direita e releio uma vez mais as palavras que vejo escritas...

"meu amor...
hoje é o dia do meu aniversário e volto a escrever-te... não sei quantas vezes já o fiz durante todos estes anos que já vivi... palavras sentidas entranhadas na minha essência que me fazem persistir na tua procura, na espera por ti... palavras escritas, lidas, relidas e voltadas a ler e que fazem sempre sentido quando os meus olhos passam por elas em páginas gastas e amarelecidas pela erosão do tempo...
há pessoas que passam anos sem que se mostrem como são na realidade vivendo por detrás de uma máscara criada para se protegerem mas que, de um momento para o outro, com um simples clic, se abre estranhamente e se dão a conhecer como nunca o haviam feito antes... que se revelam, que se mostram, que se entregam... e que, por vezes, tendem a fechar-se lentamente sobre si próprias novamente simplesmente porque não foram totalmente compreendidas, aceites, desejadas, amadas...
a tristeza é disfarçada, camuflada, escondida por detrás de um sorriso, de um riso, de uma gargalhada, de uma piada, simplesmente porque é mais fácil do que explicar o porquê de sentir assim pois apenas uma pequena parte de quem ouve e escuta percebe o que se passa mas só uma ínfima parte o entende...
com isto, a solidão emocional não se mostra, não se revela com a intensidade necessária para ser notada quando se está rodeado de amigos, colegas, conhecidos... por vezes, um simples desconhecido consegue olhar nos olhos e, naquela fracção de segundo e apesar de não se conhecerem, saber pelo que se está a passar, a enfrentar, a (sobre)viver... a definhar...
e eu, meu amor, embora ainda seja em parte, fui uma dessas pessoas até um dia ter havido aquele simples clic...
és das raríssimas pessoas que, apenas pelo timbre da minha voz, sabes como me estou a sentir... e isso é algo assustadoramente maravilhoso de se sentir e ouvir vindo de ti...
sabes... até podemos ser muito diferentes mas conseguimos ver-nos muito melhor que duas pessoas que são iguais... e isso não é mau de todo... como se costuma dizer, "os opostos atraem-se"...
diante deste mar imenso que simboliza o amor que sinto por ti, fotografo o pôr-do-sol e dou-o a conhecer ao mundo como a distância até onde vai este sentimento que tenho por ti... e sonho... sonho com o dares-me a conhecer o nascer de um novo dia... abraçados e embrulhados num cobertor a fazer desse momento uma rotina e um momento nosso... lado a lado... conversando, dialogando, esclarecendo dúvidas, pensamentos, situações, incertezas, sentimentos... simplesmente amando pois é do melhor que se pode ter e sentir nesta vida... e é isso que te quero fazer sentir... quem sabe amada como nunca o foste, amparada como nunca o estiveste, compreendida como nunca o sentiste, respeitada como sempre o mereceste, optimista como nunca pensaste ser...
e acompanhar-te... sei que não seria fácil e que nos primeiros tempos ficaria um pouco para trás, ofegante e com a língua pendurada de um dos lados da boca... mas não desistiria pois ao ver-te sorrir faria com que a adrenalina disparasse e nos mantivesse lado a lado tal como deve ser vivida a vida...
mas tudo isto é um sonho... o meu sonho... um sonho sentido no peito ora calmamente ora intensamente forte a querer sair dele...
amo-te... amo-te hoje, amanhã e sempre..."

termino de ler as últimas palavras a custo pois os olhos estão desfocados por estarem rasos de  lágrimas...
como não se deve atirar garrafas (nem qualquer outra coisa que não seja bastante degradável) para o mar, todas estas palavras foram escritas numa rosa vermelha que trouxe comigo que, tal como uma vida em casal, tem as suas pétalas, as suas folhas, os seus espinhos... espinhos esses que cabe a ambos conhecê-los, compreendê-los, conviver com eles sabendo da sua existência dando apenas a devida importância para não picarem, não ferirem, não rasgarem...
com o sol a duas horas de desaparecer no horizonte e envolto em nevoeiro, avanço um pouco mais em direcção das ondas do mar e, sabendo que a próxima onda chega onde estou, deixo a rosa estendida sob o molhado da areia à espera que seja levada... afasto-me o suficiente e vejo a onda aproximar, envolver a rosa e levá-la consigo, deixando-me na esperança de um dia te ser entregue juntamente com todo o sentimento que nela depositei... o meu amor por ti...


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